Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
15/05/2015 22h38
Haicai - Otávio Coral

sob o vento leve
o róseo das paineiras
espalha alegria

Otávio Coral


Photo: Dirce Lopes Missura


Publicado por Rosangela Aliberti em 15/05/2015 às 22h38
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
 
27/04/2015 10h49
ORAÇÃO DO CAMINHANTE e Prece Poema DEUS - Eurípedes Barsanulfo

 

ORAÇÃO DO CAMINHANTE

Senhor,
Que a tua palavra seja o nosso caminho.
Que a vossa misericórdia, seja o alívio para o peso de nossas provas.
Oh Pai! Permita que a nossa essência se renda as vibrações que soerguem sem enaltecer.
Ilumine nossos pensamentos, tornando nossas ações espelho de tua bondade.
Que a tua determinação, oh Pai, seja o horizonte esclarecedor para a evolução da humanidade que crê em ti!
Abençoa os peregrinos sem rumo, que se encontram na escuridão de si mesmo.
Não permita Senhor, que caiamos nas tentações que inebriam os olhos e enquistam a alma.
Não permita que a cegueira material eternize uma sepultura egóica.
Ressuscite em nossos corações , a esperança de poder ver além do que os nossos olhos nos permitem, tornando nossas mãos ferramentas de ajuda ao próximo.
Que a música celestial inunde nossos ouvidos para que possamos aprimorar a escuta mundana.
Permita-nos Senhor, a humildade de servos para lavar os pés dos que perturbam, espalhando por toda a parte a fé, a esperança e a caridade.
Faça-nos criaturas moldadas pela compaixão alheia, como pedra lapidada pelo tempo.
Ajuda-nos , em todos os momentos, sobre qualquer circunstância , a fortalecer as nossas asas capazes de transportar-nos para lugares sublimes, relembrando a importância do dever a ser cumprido.
Empeça, oh Pai, nossas mãos de gestos profanos,e, de espalharem a treva, a dúvida e o ódio.
Regue nossos corações com a Vossa Magnânima bondade, para que os frutos de nossas atitudes sejam saudáveis, vigorosos e produtivos.
Que o trabalho, a disciplina, e o aprendizado , sejam balizas para sustentar os nossos ideais de seguir os passos do Mestre e Senhor Jesus Cristo!
Que seja feita a tua vontade, oh Pai! Agora e sempre!

Eurípedes Barsanulfo
Psicografada na sede da FEAK/MG, 2014

_____________________

 

D E U S - Prece/Poema de autoria de EURÍPEDES BARSANULFO


DEUS! Vós que vos revelais pela natureza, vossa filha e nossa mãe, reconheço-vos eu, Senhor! Na poesia da Criação, na criança que sorri, no ancião que tropeça, no mendigo que implora, na mão que assiste, na mãe que vela, no pai que instrui, no apóstolo que evangeliza.

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! No amor da esposa. No afeto do filho, na estima da irmã, na justiça do justo, na misericórdia do indulgente, na fé do ímpio, na esperança dos povos, na caridade dos bons, na inteireza dos íntegros!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! no estro do vale, na eloqüência do orador, na inspiração do artista, na santidade do moralista, na sabedoria do filósofo, nos fogos do gênio!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! Na flor dos vergueis, na relva dos vales, no matiz dos campos, na brisa dos prados, no perfume das campinas, no murmúrio das fontes, no rumorejo das franças, na música dos bosques, na placidez dos lagos, na altivez dos montes, na amplidão dos oceanos, na majestade do firmamento!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! Nos lindos antélios, no íris multicolor, nas auroras polares, no oxigênio da lua, no brilho do sol, na fulgência das estrelas, no fulgor das constelações!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! Na formação das nebulosas, na origem dos mundos, na gênese dos sóis, no berço das humanidades, na maravilha, no esplendor, no sublime do infinito!

DEUS! Reconheço-vos eu, Senhor! Com Jesus, quando ora: “PAI NOSSO QUE ESTAIS NOS CÉUS...” Ou com os anjos, quando cantam: “GLÓRIA A DEUS NAS ALTURAS...”

(foto: web)

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 27/04/2015 às 10h49
 
03/04/2015 23h07
Texto de Martha Medeiros (ORIGINAL) sem enxertos "AS POSSIBILIDADES PERDIDAS"


"AS POSSIBILIDADES PERDIDAS"
20 de agosto de 2002,  Martha Medeiros (TEXTO CORRETO SEM ENXERTOS)

Fiquei sabendo que um poeta mineiro que eu não conhecia, chamado Emilio Moura, teria completado 100 anos neste mês de agosto, caso vivo fosse. Era amigo de outro grande poeta, Drummond. Chegaram a mim alguns versos dele, e um em especial me chamou a atenção: "Viver não dói. O que dói é a vida que não se vive".

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.


Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais. "

_____________________________________________________

Um dos enxertos:

"A cada dia que vivo, mais me convenco de que o desperdicio da vida... Esta no amor que nao damos, nas forças que nao usamos, Na prudencia egoista que nada arrisca e que, esquivando-se do sofrimento, tambem perde a felicidade."  Mary Cholmondeley

"Every day I live I am more convinced that the waste of life lies in the love we have not given, the powers we have not used, the selfish prudence that will risk nothing and which, shirking pain, misses happiness as well." Mary Cholmondeley

O enxerto final é retirado do livro " You gotta keep dancin' " de Tim Hansel, um livro de motivação escrito por quem sofreu um acidente e foi perseguido por fortes dores. Ele diz, entre outras coisas, que não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria. http://www.amazon.com/gp/product/1564767442/104-1833697-3288713?v=glance&n=283155

"Pain is inevitable, but misery is optional. We cannot avoid pain, but we can avoid joy." (Tim Hansel)

"A dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional. Nós não podemos evitar a dor, mas podemos evitar a alegria" (Tim Hansel)

You Gotta Keep Dancin' by Tim Hansel

"An amazing book by an amazing man who shares his thoughts, faith and even journal entries through his battle with chronic pain. Stress, disappointment, heartache, hurt -- all are part of the human condition. But while PAIN IS UNAVOIDABLE, MISERY IS OPTIONAL! The freeing message of this book is that no matter what your circumstances, with God's help, you can choose to be joyful. He speaks from experience."

E, por fim, o poema do autor mineiro que inspirou o plagiado texto da Martha Medeiros:

Canção (Emilio Moura)

Viver nao dói. O que dói
é a vida que se não vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o proprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido.

O texto-frankstein em uma de suas versões:

Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos,
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional.

Desvendado por Vanessa Lampert http://www.autordesconhecido.blogger.com.br/ 

(photo:wallpaper)

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 03/04/2015 às 23h07
 
20/03/2015 20h27
Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza. DRUMMOND

Fala amendoeira


Esse ofício de rabiscar sobre as coisas do tempo exige que prestemos alguma atenção à natureza - essa natureza que não presta atenção em nós. Abrindo a janela matinal, o cronista reparou no firmamento, que seria de uma safira impecável se não houvesse a longa barra de névoa a toldar a linha entre o céu e o chão - névoa baixa e seca, hostil aos aviões. Pousou a vista, depois, nas árvores que algum remoto prefeito deu à rua, e que ainda ninguém se lembrou de arrancar, talvez porque haja outras destruições mais urgentes. Estavam todas verdes, menos uma. Uma que, precisamente, lá está plantada em frente à porta, companheira mais chegada de um homem e sua vida, espécie de anjo vegetal proposto ao seu destino.

Essa árvore de certo modo incorporada aos bens pessoais, alguns fios elétricos lhe atravessam a fronde, sem que a molestem, e a luz crua do projetor, a dois passos, a impediria talvez de dormir, se ela fosse mais nova. Às terças, pela manhã, o feirante nela encosta sua barraca, e ao entardecer, cada dia, garotos procuram subir-lhe o tronco. Nenhum desses incômodos lhe afeta a placidez de árvore madura e magra, que já viu muita chuva, muito cortejo de casamento, muitos enterros, e serve há longos anos à necessidade de sombra que têm os amantes de rua, e mesmo a outras precisões mais humildes de cãezinhos transeuntes.

Todas estavam ainda verdes, mas essa ostentava algumas folhas amarelas e outras já estriadas de vermelho, gradação fantasista que chegava mesmo até o marrom - cor final de decomposição, depois a qual as folhas caem. Pequenas amêndoas atestavam o seu esforço, e também elas se preparavam para ganhar coloração dourada e, por sua vez, completado o ciclo, tombar sobre o meio-fio, se não as colhe algum moleque apreciador do seu azedinho. E como o cronista lhe perguntasse - fala, amendoeira - por que fugia ao rito de suas irmãs, adotando vestes assim particulares, a árvore pareceu explicar-lhe:

- Não vês? Começo a outonear. É 21 de Março, data em que as folhinhas assinalam o equinócio do outono.Cumpro meu dever de árvore, embora minhas irmãs não respeitem as estações.

- E vais outoneando sozinha?

- Na medida do possível. Anda tudo muito desorganizado, e, como deves notar, trago comigo um resto de verão, uma antecipação de primavera e mesmo, se reparares bem neste ventinho que me fustiga pela madrugada, uma suspeita de inverno.

- Somos todos assim.

- Os homens, não. Em ti, por exemplo, o outono é manifesto e exclusivo. Acho-te bem outonal, meu filho, e teu trabalho é exatamente o que os autores chamam de outonada: são frutos colhidos numa hora da vida que já não é clara, mas ainda não se dilui em treva. Repara que o outono é mais estação da alma que da natureza.

- Não me entristeças.

- Não, querido, sou tua árvore-da-guarda e simbolizo teu outono pessoal. Quero apenas que te outonizes com paciência e doçura. O dardo de luz fere menos, a chuva dá às frutas seu definitivo sabor. As folhas caem, é certo, e os cabelos também, mas há alguma coisa de gracioso em tudo isso: parábolas, ritmos, tons suaves... Outoniza-te com dignidade, meu velho.

Carlos Drummond de Andrade, in: Prosa Seleta Nova Aguilar,[Fala, amendoeira (1957)] volume único, p. 333-334

Nota: Favor não repassar a frase grifada como se fosse de Nietzsche

Photo: Adelino Ínsua / olhares


Publicado por Rosangela Aliberti em 20/03/2015 às 20h27
 
08/03/2015 18h00
Poema Cíclico - A Casa - Sambinha da Amizade de Anibal Beça©


Poema Cíclico

A trave dos meus olhos
é pólen de crisântemos:
farpas cronológicas
Metro a metro a seta ideográfica
abre aspas ao vento:
mandala vertical

Quem me confere
estas asas nubladas
de arcanjo do limbo?

Ah tempo adiposo
a marca do teu risco
esferográfico
abre mais mais uma estrada
(sem acostamentos)
paralela às estrias do sono.

Eis que a pálpebra de palha
se apresenta:
dos meus olhos saltam
pássaros ariscos

prontos a deflorar begônias
em setembro
e 38 ponteiros
(rubis ciclotímicos do silêncio)
acupunturam poros fóbicos:

Calendas
a fala do espelho
(espectador anônimo)
mostra-me por inteiro:
Vital conselho
entre o sudário que me hospeda
e a angústia que me habita.

A miração flutua narcisicamente
o rasto da sílaba
o grão onomástico sussurra:
Anibal.

Quão particular este silêncio
(viés oculto)
que me sabe desnudo
despudoramente nu
encalhado num atol:
leito circunscrito

às algas do meu avesso.

Sem embargo
trago sempre no alforje
um fardo de estrelas:
sei-me estivador
desse cais agônico
atarefado Sísifo


Anibal Beça. 


*

 
A Casa

A casa é o personalíssimo abrigo
construído na argamassa do inefável
entre cornijas evanescentes
para os andaimes do sonho

E nesse caso
o sonho – de tão especial –
não se discute o gosto:
Cada um
no seu cada qual

A casa
é o sobretudo da alma
de figurino único
talhada no corpo
por alfaiate exclusivo

Mesmo àquelas sem grife
(padronizadas em série)
dos conjuntos populares
apenas com um toque
um simples vaso de açucenas
debruado na janela
um rendilhado
uma cor mais forte e
pronto:
a magia se completa

E há quem diga:
– É a cara dos donos !
Mas há uma arquitetura
(que não se põe à mostra)
tecida em suas nervuras:
pequeno talhe de luz
de quem as habita

É o detalhe vivaz
como o último ramo
que os pássaros
– esses engenheiros do ar –
depositam nos ninhos
para o calor das horas

Aquilo
de quem se põe na vida
e para ela se constrói
num cotidiano de partilha

Bem assim
é esta casa
onde não se precisa
licença para entrar
Só uma exigência se impõe:
Traga consigo
Carinho paz e ternura
Tudo o mais é serventia da casa.

Anibal Beça

Amigo é Casa - Zé Renato e Zélia Duncan https://www.youtube.com/watch?v=2y26ytzo4k4

SAMBINHA DA AMIZADE

Amigo não tem dia pra louvar
toda hora é hora agá
amigo com defeito não existe
tudo é bom que se aviste.

E mais que tudo tudo é maravilha
há os que são como ilha
os cercados de amigos de verdade
nas águas da amizade.

Esse Dom é de poucos já se sabe
vontade que se cabe
em si e sem alarde, mas que invade

a vida, seus percalços e castigos
esse nó tão antigo
desfeito numa só palavra: Amigo! 


 Anibal Beça© 

http://amazonichaijin.blogspot.com/

(arte de origem
desconhecida)


Publicado por Rosangela Aliberti em 08/03/2015 às 18h00
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original. Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.



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