Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
27/12/2014 02h22
Reflexões no fim de um ano...


[Outro dia... Orei]

Outro dia fotografei
Maria, sentada
no chão...
ao lado de muitos
presentes

E na casa
d'outra Maria, que
nada tinha além
de muitos
pés descalços...

o_ rei!

rosangela_aliberti,
dez/2014

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Não torço pela esquerda, (e nesta alturas do campeonato) não sei o que é de direita... acredito apenas em políticos que vejo
que se preocupam em fazer com que a situação de qualquer que seja o país, dê certo. (r_a)

foto: Gaza/Palestina

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 27/12/2014 às 02h22
 
25/11/2014 22h50
REENCONTRO - Diego Engenho Novo

REENCONTRO

(você também pode ler ouvindo: http://migre.me/mOHGC)

Passe quanto tempo passe, aconteçam quantas mudanças aconteçam ao centro de nossas órbitas: reencontrar um olhar cúmplice, um cheiro conhecido, um abraço despreocupado é sempre reencontrar-se. Se pessoas são lugares, encontros são estradas. Reencontrar é pôr-se em trânsito, na ânsia das chegadas, no ímpeto das partidas. Reencontrar é colocar a alma para viajar como um carro antigo que volta às curvas de uma estrada conhecida, sem pressa.

A dádiva do reencontro fica mais clara, é claro, sobre as costas largas do tempo que se espreguiça, ainda que também seja possível reencontrar quem se vê todo dia. Reencontrar com a mesma doçura quem se viu antes dos sonhos, quem se reencontra na régua tórrida dos dias, no empilhar quase metódico das horas, quem a gente sempre tem à mão para dividir nossas banalidades mais simplórias. Penso até que amar é reencontrar alguém todo santo dia.

Reencontrar um olhar que descansa, um afago que toca, uma música que remete, um assunto que se continua após anos e anos como se só tivesse esperado a fervura do café. Alguém que traz consigo um tempo em que o tempo parecia ser mais distraído, alguém que nos devolve a firmeza da pele, a abundância dos cabelos, o aveludado da voz, alguém que nos devolve uma parte de nós que a gente nem sabia mais que existia. Reencontros deviam ser vendidos em potinhos: o melhor anti-idade que existe.

E devagarinho a gente nota que a beleza da vida também vive na fidelidade dos ciclos. Porque quem vai e nos deixa mais vagos, quem parte e nos reparte em gomos, quem constrói pontes de saudade que ligam um lugar a si mesmo, quem esmaece da retina e da rotina, mas a gente nunca esquece, também um dia volta. E nós, que até então éramos só um tantinho menores pela falta, nos tornamos imensos pela presença, abençoados pelo reencontrar. Ontem reencontrei meu amigo Glauber.

Diego Engenho Novo

Photo/web


Publicado por Rosangela Aliberti em 25/11/2014 às 22h50
 
25/11/2014 00h42
Parábolas: A rã e o escorpião / O sábio e o escorpião

Diversas versões surgiram depois originando O sapo e o escorpião (até Rubem Alves chegou a escrever uma delas, com base em ESOPO).

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O SÁBIO E O ESCORPIÃO

Certa vez, na Índia, um sábio passeava, com seu discípulo, à margem do rio Ganges, quando viu um escorpião que se afogava. Ele então correu e, com a mão, retirou o animalzinho e o trouxe à terra firme. Naquele instante, o escorpião o picou... Dizem que é uma dor terrível... Inchou a mão do sábio. Assim que ele o colocou no chão, pacientemente, o escorpião voltou para a água. E ele, com a mão já inchada e aquelas dores violentas, vai e o retira novamente. E o discípulo a observar... Numa terceira vez que ele traz o escorpião, já com a mão bastante inchada e as dores violentas, ele o põe mais distante em terra. Aí, o discípulo já não suporta mais aquilo, e diz: "Mestre, eu não estou entendendo... este animal... é a terceira vez que o senhor vai retirá-lo da água e ele pica sua mão dessa maneira. O senhor deve estar sofrendo dores horríveis...". E ele, com a fisionomia plácida das almas que conhecem o segredo do bem, daqueles que já realmente conquistaram um território de amor e de renúncia no coração, que têm a visão das verdades celestes, vira-se para o discípulo e diz: “Meu filho, por enquanto a natureza dele é de picar, mas a minha é de salvar!”

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O Escorpião queria atravessar para a outra margem do rio então pediu ao Sapo, que o levasse até a outra margem o Sapo muito desconfiado, disse:  "Se eu te levar até lá corro o risco de ser picado por você, Escorpião "

O Escorpião com muita lábia, disse ao Sapo:  Se eu te picar Sapo, nós dois morreremos afogados, por isso pode confiar...

O Sapo pensou... Pensou... E viu que tinha uma certa lógica O que o Escorpião disse. Então resolveu ajudá-lo, só que no meio do caminho, já no rio. O Escorpião, deu uma picada no Sapo. O Sapo, vira-se para o Escorpião e diz:

 - Você prometeu que não iria me picar... Agora nós dois vamos morrer afogados. 

O Escorpião ainda teve tempo de dizer : - Me desculpe Sapo... mas essa é a minha Natureza. 

Moral da História :  Não devemos confiar em pessoas de Natureza Duvidosa ou acabaremos como o sapo da fábula que foi Enganado e traído, por aquele a quem confiou. Já as pessoas que tem a "Natureza" do Escorpião... essas correm o risco de provarem do próprio veneno.

Nota: A raiz da fábula do filme “Traídos pelo desejo” esta em O RATO E A RÃ de ESOPO, Mestre Lobato editou em seu livro FÁBULAS (também de ordem  infantil): O rato e a rã. A que está no filme: O Sapo e o Escorpião, acima. 

 *

 A RÃ E O ESCORPIÃO

O escorpião resolveu mudar-se de onde morava e por isso saiu à procura de um lugar que lhe agradasse. No caminho ele encontrou um rio, e como sabia que não conseguiria atravessá-lo, propôs a uma rã que ela o levasse em suas costas até o outro lado. Mas esta conhecia a má fama que acompanhava escorpião, e por isso perguntou desconfiada:

- Como eu posso ter certeza de que você não vai me matar?

O escorpião respondeu maneiroso: - Bobagem você ter medo de mim, porque é evidente que se eu lhe matar, também morrerei.

- E quando chegarmos ao outro lado?

- Aí, então, eu estarei tão agradecido pela sua ajuda, que com toda a certeza não pagarei com a morte a gentileza recebida.

Os argumentos do escorpião eram lógicos, e por isso a rã ficou convencida de sua sinceridade. Por isso permitiu que ele se acomodasse em suas costas, e os dois iniciaram a travessia. Mas quando chegaram ao meio do rio, e o passageiro se deu conta de que por depender de alguém ficaria devendo um favor à nadadora, ele não se conformou: ergueu o ferrão e a feriu de morte. Ao sentir a dor da picada, a rã perguntou ao escorpião por que ele havia feito aquilo, pois os dois iriam morrer, e este respondeu:  - Peço-lhe desculpas, mas não pude evitar. Essa é a minha natureza.

Moral da história: Quem tem índole ruim, mais cedo ou mais tarde acaba mostrando o que realmente é.

(Baseado em uma fábula de Esopo)

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Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e tomou o bichinho na mão. Quando o trazia para fora, o bichinho o picou e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então a margem tomou um ramo de árvore, adiantou-se outra vez acorrer pela margem, entrou no rio, colheu o escorpião e o salvou.

Voltou o monge e juntou-se aos discípulos na estrada. Eles haviam assistido à cena e o receberam perplexos e penalizados.

"Mestre, deve estar doendo muito! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!"

O monge ouviu tranquilamente os comentários e respondeu:
"Ele agiu conforme sua natureza, e eu de acordo com a minha."

 

Esta parábola nos faz refletir a forma de melhor compreender e aceitar as pessoas com que nos relacionamos. Não podemos e nem temos o direito de mudar o outro, mas podemos melhorar nossas próprias reações e atitudes, sabendo que cada um dá o que tem e o que pode. Devemos fazer a nossa parte com muito amor e respeito ao próximo. Cada qual conforme sua natureza, e não conforme a do outro.

http://www.portaljovem.com/reflexao/lenda_monge_escorpiao.htm


Publicado por Rosangela Aliberti em 25/11/2014 às 00h42
 
30/10/2014 08h46
Sobre o dia das Bruxas...

É depois que a lua adormece… Que o sol acontece.

*

Todos temos um bruxo ou bruxa dentro de nós. Queremos poder transformar momentos ruins em bons. Gostaríamos de ter a varinha mágica que mudaria nossa vida.

Black Magic Woman http://www.youtube.com/watch?v=slvqH3kI6Vk

(foto/web)

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 30/10/2014 às 08h46
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30/10/2014 00h13
Livro, um alvará de soltura - Martha Medeiros

Livro, um alvará de soltura

Costumo brincar que, para conseguir ler todos os livros que me enviam, só se eu pegasse uma prisão perpétua. Pois é de estranhar que, habituada a fazer essa conexão entre isolamento e livros, tenha me passado despercebida a matéria que saiu semana passada em Zero Hora (da qual fui gentilmente alertada pela leitora Claudia) de que os detentos de penitenciárias federais que se dedicarem à leitura de obras literárias, clássicas, científicas ou filosóficas poderão ter suas penas reduzidas.

A cada publicação lida, a pena será diminuída em quatro dias, de acordo com a Portaria 276 do Departamento Penitenciário Nacional (Depen). No total, a redução poderá chegar a 48 dias em um ano, com a leitura de até 12 livros. Para provar que leu mesmo, o detento terá que elaborar uma resenha que será analisada por uma comissão de especialistas em assistência penitenciária.

A ideia é muito boa, então, por favor, não compliquem. Não exijam resenha (eles lá sabem o que é resenha?) nem nada assim inibidor. Peçam apenas que o sujeito, em poucas linhas, descreva o que sentiu ao ler o livro, se houve identificação com algum personagem, algo simples, só para confirmar a leitura. Não ameacem o pobre coitado com palavras difíceis, ou ele preferirá ficar encarcerado para sempre.

Há presos dentro e fora das cadeias. Muitos adolescentes estão presos a maquininhas tecnológicas que facilitam sua conexão com os amigos, mas não sua conexão consigo mesmo. Adultos estão presos a telenovelas e reality shows, quando poderiam estar investindo seu tempo em algo muito mais libertador. Milhares de pessoas acreditam que ler é difícil, ler é chato, ler dá sono, e com isso atrasam seu desenvolvimento, atrofiam suas ideias, dão de comer a seus preconceitos, sem imaginar o quanto a leitura os libertaria dessa vida estreita.

Ler civiliza.

Essa boa notícia sobre atenuação de pena é praticamente uma metáfora. Leitura = liberdade ao alcance. Não é preciso ser um criminoso para estar preso. O que não falta é gente confinada na ignorância, sem saber como escrever corretamente as palavras, como se vive em outras culturas, como deixar o pensamento voar. O livro é um passaporte para um universo irrestrito. O livro é a vista panorâmica que o presídio não tem, a viagem pelo mundo que o presídio impede. O livro transporta, transcende, tira você de onde você está.

Por receber uma quantidade inquietante de livros, e sem ter onde guardá-los todos, costumo fazer doações com frequência para escolas e bibliotecas. Está decidido: o próximo lote será para um presídio, é só escrever para o e-mail publicado nesta coluna. Que se cumpram as penas, mas que se deixe a imaginação solta.

MEDEIROS, Martha. Revista O Globo. RJ: Jornal O Globo. 8 jul.2012


Publicado por Rosangela Aliberti em 30/10/2014 às 00h13
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