Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
27/07/2014 20h33
DEPOIS DOS 50 - Silvana Duboc

DEPOIS DOS 50
by Silvana Duboc

O tempo passou sem dar satisfações, ainda bem que foi assim, imagina ele pedindo licença pra passar? Acho que não daríamos essa licença nunca, íamos querer congelá-lo na idade que achássemos a melhor.

Enfim, sorri, chorei, enfrentei crises, criei as filhas, recomecei minha vida várias vezes, perdi, venci, desisti, corri atrás, caí, me levantei.
Hoje tenho cabelos brancos, rugas, a energia já não é a mesma, tudo dói um pouco todo santo dia, tenho algumas limitações apesar da boa saúde. Os óculos, por exemplo, viraram meus melhores amigos, somos inseparáveis.

Quem inventou que essa é a melhor idade e que não tem saudade dos 25, 30? Mentira! Todo mundo tem essa saudade, eu, inclusive, tenho saudade até dos 40, as coisas mudaram muito de lá pra cá.
Temos mais sabedoria? Sim, claro que temos mas também era bom errar e aprender, quebrar a cara e mudar de direção. E quem disse que depois dos 50 não continuamos errando e aprendendo? Portanto, acaba não fazendo muita diferença esse papo de " os mais velhos sabem de tudo", sabem nada. Tanto velho teimoso por aí, que parece que não aprendeu nada com a vida.

Aprender é uma arte, temos que encarar os erros, aceitar que são erros e querer transformá-los em acertos e isso pode acontecer em diversas idades.

Mas depois dos 50 existe sim uma coisa muito boa. Tô nem aí pra diversas coisas. Situações ou acontecimentos que me fritavam a mente quando eu era mais jovem hoje já não me consomem.
Quem quiser gostar de mim, ótimo, quem não quiser, fique a vontade.

Não venha arrumar confusão comigo porque vai ficar brigando sozinho. Que preguiça de brigar! Gente chata eu costumava aturar, hoje saio de fininho. Ai, gente chata é muito chato.
Nada de fazer programinhas que não gosto ou em dia que não estou a fim. Fico em casa feliz, sem aquela sensação de que devia ir, de que estou perdendo, de que vai ficar chato. Chato é estar em lugares que você não quer, ou em dias que você está querendo apenas a sua própria companhia.

Pessoas negativas que estão sempre reclamando da vida, eu ignoro. Como essa turma é cansativa, nunca nada está bom ou pelo menos mais ou menos. Gente dramática é insuportável.

A vantagem depois dos 50 é que a gente pode escolher, escolhe as amizades, as programações, as viradas que quer dar na vida, o companheiro (se quiser um), eu, por exemplo, morro de preguiça de ter um. De novo aquelas responsabilidades, aqueles aborrecimentos, aqueles compromissos, aquelas satisfações, aquele dividir tudo, até pensamentos, e pior, dividir o controle remoto da tv. Tá certo, sou egoísta, amo ser a dona única do meu controle remoto....rsss
Mas sobre um companheiro, essa é uma opinião pessoal. Sei que existem mulheres com mais de 50 que dão a vida por um e eu respeito.

Depois dos 50 praticamente acabam as regras, os deveres extremos. Eu não preciso mais ser aquela mulher que tem o peso ideal, que não tem uma celulite sequer ou a profissional que está sempre buscando novas oportunidades no mercado de trabalho.

Depois do 50 eu só preciso fazer o meu trabalho bem feito, com responsabilidade, cuidar da minha mãe com carinho, ser o porto seguro das minhas filhas e uma grande parceira para os meus bons amigos. Sei também que, dentro das minhas possibilidades, posso ajudar os mais necessitados mas, principalmente, pedir a Deus que acalme o mundo, que o ser humano evolua e resolva todos os seus problemas através da palavra.

É, pensando bem, depois dos 50 temos algumas vantagens...rsss


Publicado por Rosangela Aliberti em 27/07/2014 às 20h33
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25/07/2014 20h00
PRECE - Ana Jácomo

PRECE - Ana Jácomo

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando estou mansidão e ternura. Quando estou contemplação e respeito. Quando as palavras fluem, sem esforço algum, sem ensaio algum, articuladas e belas, do lugar em mim onde eu e ele nos encontramos e brincamos de roda. Quando nelas incluo as pessoas que têm nome e aquelas que desconheço existirem. E os meus amores. E os meus desafetos. E os bichos. E as plantas. E os mares. E as estrelas. E

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando o medo me acompanha sem que a coragem se ausente. Quando as coisas seguem o seu rumo sem que eu me preocupe em demasia com o destino desse movimento. Quando eu me sinto conectada com o amor e reverente à vida. Quando as lágrimas nascem apenas de um alegre e comovido sentimento de gratidão. Quando caminho com a rara confiança que só as crianças que ainda não doem costumam experimentar, já que, infelizmente, algumas começam a doer muito cedo.

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando sou capaz de pressentir o sol mesmo atravessando uma longa noite escura. Quando posso cruzar desertos com a clara convicção de que a vida não é feita somente deles. Quando consigo olhar para todas as experiências, sem que aquelas que me desconcertam me impeçam de valorizar as que me encantam. Quando as tristezas que repentinamente me encontram não atrapalham a certeza da sua impermanência.

Que Deus ouça as preces que lhe dirijo quando amanheço revigorada e anoiteço tranquila. Quando consigo manter uma relação mais gentil com as lembranças difíceis que, às vezes, ainda me assombram. Quando posso desfrutar do contentamento mesmo sabendo que existem problemas que aguardam eu me entender com eles. Quando não peço nada além de força para prosseguir, por acreditar que, fortalecida, eu posso o que quiser, em Deus.

Mas eu desejo, profundamente, que Deus também ouça as preces que lhe dirijo quando eu não consigo elaborar prece alguma. Quando a dor é tão grande que minha fala não passa de um emaranhado de palavras confusas e desconexas que desenham um troço que nem eu entendo. Quando o medo me paralisa e perturba de tal forma que eu me encolho diante da vida feito um bicho acuado. Quando me enredo nas minhas emoções com tanta confusão que parece que aquele tempo não vai mais passar.

Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando só consigo chorar e, mesmo depois de já ter chorado muito, tenho a sensação de ainda não ter chorado tudo. Quando me sinto exaurida e me entrego a esse cansaço completamente esquecida dos meus recursos. Há momentos em que a gente parece ignorar tudo o que pode nos ajudar a lidar melhor com os desafios. Há momentos, ainda, em que a gente se confunde sobre o local onde, de verdade, os desafios começam.

Que Deus ouça também as preces que lhe dirijo quando me parece que eu não acredito em mais nada. Quando sou incapaz de ver qualquer coisa além do foco onde coloco a minha dor. Quando não consigo articular meus pensamentos nem entrar em contato com alguma doçura que me faça lembrar das coisas que realmente nos movem. Quando não lhe dirijo nenhuma prece. Nem com palavras. Nem com um sorriso enternecido quando dou de cara com uma flor. Com um pôr-de-sol. Com uma criança. Com uma lua cheia. Com o cheiro do mar. Com o riso bom de um amigo. Que ele me ouça com o seu ouvido amoroso e me acolha no seu coração, porque é exatamente nesses momentos que eu não consigo ouvi-lo.

imagem: tumblr


Publicado por Rosangela Aliberti em 25/07/2014 às 20h00
 
14/07/2014 10h16
Il - O meu olhar é nítido como um girassol / Il mio sguardo è nitido come um girasole
II - O meu olhar é nítido como um girassol.
Il mio sguardo è nitido come un girasole.

O meu olhar é nítido como um girassol.
Il mio sguardo è nitido come un girasole.

Tenho o costume de andar pelas estradas
Ho l'abitudine di camminare per le strade

Olhando para a direita e para a esquerda,
guardando a destra e a sinistra

E de vez em quando olhando para trás...
e talvolta guardando dietro di me...

E o que vejo a cada momento
E ciò che vedo a ogni momento

É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
è ciò che non avevo mai visto prima,

E eu sei dar por isso muito bem...
e so accorgermene molto bene.

Sei ter o pasmo essencial
So avere lo stupore essenziale

Que tem uma criança se, ao nascer,
che avrebbe un bambino se, nel nascere,

Reparasse que nascera deveras...
si accorgesse che è nato davvero...

Sinto-me nascido a cada momento
Mi sento nascere a ogni momento

Para a eterna novidade do Mundo...
per l'eterna novità del Mondo...

Creio no Mundo como num malmequer,
Credo al mondo come a una margherita,

Porque o vejo. Mas não penso nele
perché lo vedo. Ma non penso ad esso,

Porque pensar é não compreender...
perché pensare è non capire...

O Mundo não se fez para pensarmos nele
Il Mondo non si è fatto perché noi pensiamo a lui,

(Pensar é estar doente dos olhos)
(pensare è un'infermità degli occhi)

Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo...
ma per guardarlo ed essere in armonia con esso...

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Io non ho filosofia: ho sensi.

Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Se parlo della Natura, non è perché sappia ciò che è,

Mas porque a amo, e amo-a por isso,
ma perché l'amo, e l'amo per questo

Porque quem ama nunca sabe o que ama
perché chi ama non sa mai quello che ama,

Nem sabe porque ama, nem o que é amar...
né sa perché ama, né cosa sia amare...

Amar é a eterna inocência,
Amare è l'eterna innocenza,

E a única inocência é não pensar...
e l'unica innocenza è non pensare...

Alberto Caeiro (um dos heterônimos de Fernando Pessoa)
Photo: Massimo Daddi
 
(Coletânea da poesia em italiano: Carolina Falabella, tradutor não mencionado)
 

Publicado por Rosangela Aliberti em 14/07/2014 às 10h16
 
11/07/2014 17h58
Não se brinca mais como antigamente - Marcelo C. Souza (psicólogo)

Não se brinca mais como antigamente…

Não se brinca mais como antigamente, isso é uma verdade incontestável. Atualmente com o avanço da tecnologia, as crianças encontram formas de divertimento puramente virtuais dadas por pais que também não tem tempo de estar investindo em atividades com seus filhos.
Computadores e vídeo games substituíram completamente os jogos que eram tão conhecidos e praticados, principalmente na década de 80.
Amarelinha, pular corda, queimada, corrida… Uma infinidade de atividades que foram substituídas pela frieza e solidão do mundo virtual da Internet, computadores e jogos de video games.

É uma pena, pois os jogos ensinam as crianças como lidar com a frustração de uma derrota, aprendem como se comportar socialmente e desenvolvem formas sadias de lidar com a competitividade. Não apenas os jogos mudaram, mas as musicas e até as roupas.

Hoje em dia não temos mais crianças e sim, mini adultos. As antigas canções de roda cantadas por gênios da Musica Brasileira como Toquinho e sua inesquecível canção ”Aquarela” foi substituídas pelas musicas carregadas de erotismo e duplos sentidos do Bonde do Tigrão ou da funkeira Tati Quebra Barraco.
As roupas foram modificadas, é comum ver crianças de 5 anos se vestindo como adultos, gravatas, mini saias, sapatos de bico fino e saltos-alto.

A questão principal e o problema é que não existe espaço para crianças serem apenas crianças na sociedade moderna. Desde pequena já é introduzida no mundo virtual da internet, surfando sozinha por bits e mais bits conhecendo apenas nomes ou figurinhas em uma tela de computador. A competitividade é estimulada de forma muitas vezes cruel, buscando a destruição do adversário e não a união de forças ou mesmo a vitória sadia. O velho ditado popular ”O importante não é vencer…” caiu em desuso rapidamente e foi substituído quase que totalmente por um outro que diz ”Se não vencer, você não é ninguém…”

O resultado de gerações de crianças que foram criadas para serem individualistas é assustador. É importante que as crianças sejam educadas dentro do mundo globalizado e altamente tecnológico dos dias atuais, mas também creio que é necessário treinar os educadores para continuar introduzindo valores éticos e morais para que essa criança não se perca entre o trabalho quase que 24h dos pais e a negligência das escolas.
É algo a se trabalhar muito, principalmente para os Psicólogos e Pedagogos. As crianças não conseguem mais ser crianças e isso em um intervalo de tempo de médio prazo é desastroso.

Por onde andam os brinquedos que até uma década atrás divertiam de forma saudável milhões de crianças ao redor do mundo ?
Onde estão aqueles jogos que ensinavam as crianças que o importante não era ganhar a qualquer custo (até ser desonesto)
e sim participar da brincadeira?? Onde está o espaço onde a criança pode ser apenas criança?

Realmente…
Não se brinca mais como antigamente.

Marcelo C. Souza - (Psicólogo: CRP 06/76621) http://www.psicologiaeciencia.com.br/nao-se-brinca-mais-como-antigamente/

pae05025/fotosearch
 


Publicado por Rosangela Aliberti em 11/07/2014 às 17h58
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11/07/2014 17h15
Frase: Mudança

"A cobra morre se não puder mudar de pele. Dá-se o mesmo com o espírito que se impede de mudar de opinião; deixa de ser espírito." ~ Nietzsche, in: Nietzschiana, Trechos escolhidos na obra do autor de Zaratustra por Alberto Ramos, 1949, Livraria José Olympio Editora.

"Die Schlange, welche sich nicht häuten kann, geht zugrunde. Ebenso die Geister, welche man verhindert, ihre Meinungen zu wechseln; sie hören auf, Geist zu sein." ~ Friedrich Nietzsche, Werke II - Morgenröte


Publicado por Rosangela Aliberti em 11/07/2014 às 17h15



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