Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
24/12/2012 22h25
Preces: ANTE O CÉU ESTRELADO/DIANTE DA MANJEDOURA/DE NATAL I e II/ GRATIDÃO

 

 

PRECE ANTE O CÉU ESTRELADO

Senhor: Ante o Céu Estrelado, Que nos revela a tua Grandeza, Deixa que nossos Corações se unam, À Prece das Coisas Simples, Concede-nos, Pai, A Compaixão das Árvores, A Espontaneidade das Flores, A Fidelidade da Erva Tenra, A Perseverança das Águas, Que procuram o repouso nas Profundezas,A Serenidade do Campo, A Brandura do Vento Leve, A Harmonia do Outeiro, A Música do Vale, A Confiança do Inseto Humilde, O Espírito de Serviço da Terra Benfazeja, Para que não estejamos recebendo,Em vão, tuas dádivas, e para que o Teu Amor resplandeça no Centro, De nossas Vidas, agora e sempre. Assim Seja...

Emmanuel/Chico Xavier

 

*

 

PRECE DIANTE DA MANJEDOURA

Senhor.

Diante da Manjedoura em que nos descerras o coração,ensina-nos a abrir os braços para receber-Te.Não nos relegues ao labirinto de nossas ilusões, nem nos abandones ao luxo de nossos problemas.Vimos ao Teu encontro, cansados de nossa própria  fatuidade.Sol da Vida, não nos confies às trevas da morte.Fortalece-nos o bom ânimo.Reaviva-nos a fé.Induze-nos à confiança e à boa vontade.Tu que renunciaste ao Céu, em favor da Terra, ajuda-nos a descer, com o Supremo Bem, para sermos mais úteis!...Tu que deixaste a companhia dos anjos sábios e generosos, por amor aos homens ignorantes e infelizes,auxilia-nos a estender com os irmãos mais necessitados que nós mesmos o tesouro de luz que nos trazes!...Defende-nos contra os vermes da vaidade.Ampara-nos contra as serpes do orgulho.Conduze-nos ao caminho do trabalho e da humildade.E, reconhecidos à frente do Teu Berço de Luminosa Esperança, nós Te rogamos, sobretudo, os dons da simplicidade e da paz, para que sejamos contigo fiéis a Deus, hoje e sempre

Emmanuel/Chico Xavier

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PRECE DE NATAL

Senhor! Enquanto o júbilo do Natal acende a flama da oração,renova-nos para o mundo melhor.Há quem diga que a fé se perdeu nas engrenagens da civilização e que a ciência na terra apagou a luz espiritual.Em verdade, Mestre,o homem que já controla as energias atômicas prepara-se à conquista das forças cósmicas,qual se fosse comandante da vida.Entretanto, à frente dos olhos,não temos somente o egoísmo e a vaidade que lhe comprometem a grandeza,semelhante a magnificente palácio sobre chão de explosivos... Em toda parte,marginando a carruagem dos  poderosos,arrastam-se os vencidos de todas as condições. Muitos enlouqueceram, no excesso de conforto, e vagueiam nas furnas dos entorpecentes; outros, terrificados na visão de crimes perfeitos, nascidos da pompa intelectual, jazem mutilados mentalmente nas trincheiras do hospício... Milhões erguem os braços por antenas de dor, no imenso mar das provações humanas,quais náufragos, nos esgares da morte, junto de multidões agitadas e infelizes cansadas de incerteza e desilusão...Por tudo isso, Senhor,nós, que tantas vezes te negamos acesso às portas da alma, esperamos por Ti, nos campos atormentados do coração. Dobra-nos a orgulhosa cerviz, diante da manjedoura, em que exemplificas a abnegação e a simplicidade e perdoando ainda nossas fraquezas e as nossas mentiras,ensina-nos, de novo,a humildade e o serviço, a concórdia e o perdão, com a melodia sempre nova do Teu cântico de esperança: Glória a Deus nas alturas, paz na Terra e boa vontade para os homens!...

Emmanuel/Chico Xavier

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PRECE DO NATAL II

Senhor Jesus!...Recordando-te a vinda, quando te exaltastes na manjedoura por luz nas trevas, vimos pedir-te a bênção.Revela-nos se muitos de nós trazemos saudade e cansaço,assombro e aflição, quando nos envolves em torrentes de alegria.Sabes, Senhor, que temos escalado culminâncias...Possuímos cultura e riqueza, tesouro e palácios,máquinas que estudam as constelações e engenhos que voam no Espaço! Falamos de ti – de ti que volveste dos continentes celestes, em socorro dos que choram na  poeira do mundo, no tope dos altos edifícios em que amontoamos reconforto, sem coragem de estender os braços aos companheiros que recolhias no chão...Destacamos a excelência de teus ensinos, agarrados ao supérfluo, esquecidos de que não guardaste uma pedra em que repousar a cabeça; e, ainda agora, quando te comemoramos o natalício, louvamos-te o nome, em torno da mesa farta, trancando inconscientemente as portas do coração aos que se arrastam na rua! Nunca tivemos, como agora, tanta abastança e tanta  penúria, tanta inteligência e tanta discórdia! Tanto contraste doloroso, Mestre, tão só por olvidarmos que ninguém é feliz sem a felicidade dos outros...Desprezamos a sinceridade e caímos na ilusão, estamos ricos de ciência e pobres de amor. É por isso que, em te lembrando a humildade, nós te rogamos para que nos  perdoes e ames ainda... Se algo te podemos suplicar além disso, desculpa o nada que te ofertamos, em troca do tudo que nos dás e faze-nos mais simples!...Enquanto o Natal se renova, restaurando-nos a esperança, derrama o bálsamo de tua bondade sobre as nossas preces, e deixa, Senhor, que venhamos a ouvir de novo, entre as lágrimas de júbilo que nos vertem da alma, a sublime canção com que os Céus te glorificam o berço de palha, ao clarão das estrelas: - Glória a Deus nas alturas, paz na Terra, boa vontade para com os homens!

Emmanuel/Chico Xavier

*

 

PRECE DA GRATIDÃO

Senhor Jesus! pela bênção

De Tua doutrina santa

Que nos apóia e levanta

Para o Reino de Amor,

Pela paz que nos ofertas,

Pela esperança divina

Que nos conforta e ilumina,

Bendito sejas, Senhor!

 

Pela carícia do lar,

– Doce templo de carinho

– Que nos concedes por ninho,

Céu na Terra campo em flor.

Pelo aconchego suave

Da feição que nos aquece,

Pelo consolo da prece,

Bendito sejas, Senhor!...

 

Pelo tesouro sublime

De graças da natureza,

Pela serena beleza

Do mar, do jardim, da cor,

Pela fonte que entretece

Poemas de melodia;

Pelo pão de cada dia,

Bendito sejas, Senhor!

 

Em tudo o que nos reserves

À luz de cada momento,

O nosso agradecimento

por tudo, seja o que for...

Vivemos, Jesus Querido,

Na alegria de encontrar-Te,

Cantando por toda parte,

Bendito sejas, Senhor!...

 

João de Deus/Chico Xavier


Beethoven - Moonlight Sonata
http://www.youtube.com/watch?v=nT7_IZPHHb0

 

(Art by Roberto Feruzzi, Madonna of the Streets)


Publicado por Rosangela Aliberti em 24/12/2012 às 22h25
 
22/12/2012 17h24
Texto de Natal (2004) - Barbara Leite


Texto de Natal

Quando me dei conta é Natal.
E quando é Natal a gente percebe o quanto o tempo é breve. O ano corre, voa, pega jatinho particular e parte. Parte para nunca mais voltar. A vida é assim...
E quando é Natal a gente lembra de quantas pessoas queridas existem na nossa vida. Pessoas que ainda estão, que passaram, pessoas aconchegantes que merecem nossa atenção, respeito e admiração eternos. Eterna é a lembrança do sorriso, do conforto, da mão amiga na hora do desespero, da palavra que se fez necessária, da diversão, da seriedade, de crescimento. Eterno é o que somos na lembrança de quem marcamos.
E quando é Natal a gente lembra o que é o amor, o perdão, a fraternidade e lembramos o quanto já evoluímos e aprendemos nesta vida. A gente consegue enxergar o próximo no Natal. E conseguimos enxergar que estamos indiscutivelmente unidos por algum Mistério maior.
E quando é Natal a gente lembra da família, a estrutura para ser quem somos. E começamos a refletir de que as vezes desperdiçamos muito tempo alimentando mágoas e sentimentos que não vão nos levar a nada além da própria destruição.
E quando é Natal a gente dá presente para retribuir tudo de bom que as pessoas fazem na nossa vida. É como se pudéssemos embrulhar amor com um laço de fita vermelho. É como se pudéssemos colocar gratidão num lindo saco dourado, é como carinho enrolado em fitilhos alegres e desajeitados.
E quando é Natal a gente canta Pinheirinhos que alegria lalalalala e temos a certeza que Natal é a comemoração de aniversário de um Homem que veio para mudar o mundo e nos ensinar que Amar é o dom maior....
Desejo que cada amanhecer seja um Reveillon em sua vida, que com o mesmo ânimo que começamos um ano, o mesmo perdure pelos próximos 365 dias, com a crença que realizaremos nossos desejos mais profundos e que tudo se tornará melhor, e que você tenha sempre um sorriso largo no rosto, para presentear diariamente aqueles que tornam nossa vida rica!!!

Feliz Natal e um lindo ano para você e toda sua familia!!!

Barbara Leite http://barbaraleite.blogspot.com.br/

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 22/12/2012 às 17h24
 
14/12/2012 01h57
Haroldo de Campos - Augusto de Campos - Décio Pignatari

Haroldo Eurico Browne de Campos (São Paulo, 19 de agosto de 1929 — São Paulo, 16 de agosto de 2003) foi um poeta e tradutor brasileiro.

Haroldo fez seus estudos secundários no Colégio São Bento, onde aprendeu os primeiros idiomas estrangeiros, como latim, inglês, espanhol e francês. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, no final da década de 1940, lançando seu primeiro livro em 1949, O Auto do Possesso quando, ao lado de Décio Pignatari, participava do Clube de Poesia.

Em 1952, Décio, Haroldo e seu irmão Augusto de Campos rompem com o Clube, por divergirem quanto ao conservadorismo predominante entre os poetas, conhecidos como "Geração de 45". Fundam, então, o grupo Noigandres, passando a publicar poemas na revista do grupo, de mesmo título. Nos anos seguintes defendeu as teses que levariam os três a inaugurar em 1956 o movimento concretista, ao qual manteve-se fiel até o ano de 1963, quando inaugura um trajeto particular, centrando-se suas atenções no projeto do livro-poema "Galáxias".

Haroldo doutorou-se pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, sob orientação de Antonio Candido, tendo sido professor da PUC-SP, bem como na Universidade do Texas, em Austin.

Haroldo dirigiu até o final de sua vida a coleção Signos da Editora Perspectiva. "Transcriou" em português poemas de autores como Homero, Dante, Mallarmé, Goethe, Mayakovski, além de textos bíblicos, como o Gênesis e o Eclesiastes. Publicou, ainda, numerosos ensaios de teoria literária, entre eles A Arte no Horizonte do Provável (1969).

Faleceu em São Paulo, tendo publicado, pouco antes, sua transcriação em português da Ilíada, de Homero.

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Augusto de Campos (1931) é um poeta, ensaísta, crítico de literatura e música e tradutor brasileiro, um dos criadores do movimento literário denominado Poesia Concreta, onde a poesia ganhava nova forma poética baseada na desintegração total do verso tradicional, uma reação contra a lírica discursiva e frequentemente retórica da geração de 45.

Augusto Luís Browne de Campos (1931), conhecido como Augusto de Campos, nasceu em São Paulo, no dia 14 de fevereiro de 1931. Estudou Direito na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. Em 1951, estreou na literatura com o livro “O Rei Menos o Reino”, onde nota-se o contato com a melhor tradição lírica portuguesa.

Em 1952, junto com seu irmão Haroldo de Campos e o também poeta Décio Pignatari, formam o grupo “Noigandres” e lançam a Revista com o mesmo nome – cujo significado, do Provençal, “antídoto do tédio” – uma espécie de plataforma dos jovens poetas que almejavam uma linha de pesquisa de novas formas.

Em 1955, no 2º número da revista, publicou “Poetamenos”, a primeira série sistemática de poemas concretos. Em 1956, Augusto, Haroldo e Décio, lançam oficialmente o movimento literário da “Poesia Concreta”, que pregava o fim da poesia intimista, o desaparecimento do eu lírico, e propõem uma concepção poética baseada na geometrização e visualização da linguagem. A nova forma poética ganhou adesões e apoios, como também repúdios e comentários espantados, em face da desintegração total do verso tradicional.

Poetamenos, além de uma radical atomização das palavras, inspirada no trabalho de E. E. Cummings, a estrutura de Poetamenos incorpora duas cores, a que correspondem uma voz masculina e outra feminina. Três poemas dessa série foram então gravados, ao lado da música de Webern, sob a regência do maestro Diogo Pacheco, no Teatro Arena, de São Paulo.

Depois da Poesia Concreta, Augusto de Campos fez experiências a que chamou de Popcretos: montagens, a partir de recortes de jornal e revista. Em 1974, publicou com Júlio Plazza, “Poemóbiles” – poemas-objetos manipuláveis. Com o grupo de poetas concretistas, Augusto de Campos participou de muitos debates no Brasil e no exterior. Em 1959, uma exposição internacional da arte concreta reuniu autores brasileiros e europeus em Stuttgart, na Alemanha. Em 1960, foi fundada a Equipe Invenção que organizou, em Tóquio, uma exposição de poetas concretistas brasileiros e japoneses.

Augusto de Campos traduziu duas obras-primas da poesia brasileira: “A Amada Esquiva” (To His Coy Mistress, Andrew Marvel (1621-1678) e O Jaguadarte ( Jabberwocky), Lewis Carroll (1832-1898). A obra “Não Poemas”, de 2003, recebeu o Prêmio do Livro do Ano, da Fundação da Biblioteca Nacional.

 

Haroldo de Campos no RODA VIVA https://www.youtube.com/watch?v=0LcTkGEiV-U

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Décio Pignatari, (1927-2012) foi um poeta e ensaísta brasileiro. Um dos mais importantes poetas do movimento concretista. Foi também professor, teórico da comunicação e tradutor.

Décio Pignatari (1927-2012) nasceu em Jundiaí, São Paulo, no dia 20 de agosto de 1927. Filho de imigrantes italianos, ainda pequeno mudou-se com a família para a cidade de Osasco, onde passou sua infância e adolescência. Em 1948 ingressou no curso de Direito da Universidade de São Paulo (USP).

No fim de 1948, Décio e os irmãos Haroldo e Augusto de Campos, reunidos em torno do Clube da Poesia, logo se desligam da Geração de 45, por entenderem que era um núcleo tradicional e pouco criativo. Em busca de síntese entre a poesia e a cidade o grupo cria a poesia concreta. Os poemas concretos não falavam necessariamente de ou sobre a cidade, mas falavam da linguagem da percepção e da sensibilidade urbana, utilizando recursos e técnicas visuais.

As primeiras poesias de Décio foram publicadas na "Revista Brasileira de Poesia", em 1949. Sua estreia na literatura se deu com a publicação do livro "Carrossel", em 1950. Em 1952, Décio Pignatari, Haroldo e Augusto resolvem fundar um órgão de imprensa que registrasse a nova poesia - o Concretismo, com a inauguração da revista "Noigandres", que na primeira edição, os três defendiam uma nova forma de poesia, com a palavra pensada em todas as dimensões – semântica, sonora e visual.

Em 1953 Décio concluiu o curso de Direito e em seguida viajou para a Europa, só retornando em 1955. Em 1956 o grupo lança oficialmente o "Movimento Concretista", na exposição Nacional de Arte Concreta, no Museu de Arte Moderna de São Paulo e, ao mesmo tempo, no Ministério da Educação (MEC), no Rio de Janeiro. A revista “Noigandres” durou até 1962, tendo publicado cinco números. Em 1965 o grupo publica o livro “Teoria da Poesia Concreta”.

Ainda em 1965 é decretado o fim do “ciclo histórico do verso”, no manifesto “Plano-Piloto para a Poesia Concreta”, traduzido em diversas línguas. Com a adesão de vários poetas ao grupo motivou a realização de congressos, exposições, mesas redondas e também muitas críticas.

Entre suas obras poéticas destacam-se: “Poesia/Pois É/Poesia”, “Terra”, “Dollar/Cristo” e “Coca Cola”, onde denuncia o domínio de uma fórmula sobre as massas e, a ironia é a chave do poeta no anagrama: beba coca cola / babe cola / beba coca / babe cola caco / caco / cola / cloaca.

Mais satírico e menos ortodoxo que os irmãos Campos, Décio escreveu também romances e contos. Traduziu obras de Dante, Goethe e Marshall McLuhan. Foi casado com Lilla Pignatari e teve três filhos. Foi professor da Escola Superior de Desenho Industrial do Rio de janeiro, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo.

Décio Pignatari faleceu em São Paulo, vítima de insuficiência respiratória em consequência do mal de Alzheimer, no dia 2 de dezembro de 2012.

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 14/12/2012 às 01h57
 
02/12/2012 15h58
A PERFEIÇÃO - CLARICE LISPECTOR (conforme os livros)

A PERFEIÇÃO

O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. Apesar da verdade ser exata e clara em si própria, quando chega até nós se torna vaga pois é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.  [Clarice Lispector, in: A descoberta do mundo] http://books.google.com.br/books?id=4Zkfn0pB_YEC&pg=PA117&lpg=PA117&dq=a+perfei%C3%A7ao+lispector&source=bl&ots=QhRmOzDUZ5&sig=C8TUMPL7nVeWXKAFXU9MzfrZ4G0&hl=pt-BR&sa=X&ei=zJK7UPv3NZSI9ASh5YGIAw&ved=0CFIQ6AEwBzgo#v=onepage&q=a%20perfei%C3%A7ao%20lispector&f=false

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Frases de Clarice Lispector viram sucesso na internet
21 de Março de 2012 por Gabriela Eduarda
 
“Eu era uma mulher casada. Agora sou uma mulher.”
 
Essa única frase resume a essência do conto “A Fuga”, de Clarice Lispector, no qual uma mulher sai de casa e, ao passar algumas horas sozinha numa praça, decide se separar do marido. Essa capacidade de fazer em poucas palavras sínteses de situações humanas complexas se tornou um prato cheio para internautas.
 
Os sites de mensagens inspiradoras e as redes sociais espalham e compartilham dezenas de frases atribuídas à escritora, geralmente acompanhadas de fotos e músicas românticas. Nem sempre, no entanto, as frases foram de fato retiradas dos livros, das entrevistas ou das colunas femininas que Clarice escrevia para jornais, nos quais assinava com pseudônimos, como Tereza Quadros e Helen Palmer.
 
Apesar de nem tudo que a gente recebe nas nossas caixas de email ou nos feeds de redes sociais ter sido de fato assinado por ela, Clarice Lispector é um sucesso nas redes. Sua fanpage no Facebook, por exemplo, tem mais de 160 mil seguidores! (Só para dar uma ideia, a do cantor Roberto Carlos tem cerca de 16 mil).
 
“As pessoas gostam de máximas e Clarice tinha mesmo essas frases sentenciosas. ‘A descoberta do mundo’ é cheio delas”, diz Yudith Rosembaum, professora de literatura brasileira na Universidade de São Paulo e autora, entre outros, do perfil “Metamorfoses do Mal – uma leitura de Clarice Lispector” (Edusp).
 
“Os textos dela tocam em aspectos importantes da condição humana, mergulham naquilo que temos de melhor e de pior no campo das relações pessoais, afetivas, sentimentais e dos valores éticos”, ressalta Nádia Battella Gotlib, professora da USP e autora de “Clarice Fotobiografia” (Imprensa Oficial).
 
“Ela sabe como chacoalhar com o ‘de-dentro’ da gente, abrindo novas perspectivas de sensações e de visões daquilo que nos rodeia. Clarice promove uma nova descoberta do mundo”, acredita Nádia.
 
De quebra, a autora ucraniana é ela própria uma imagem que remete ao mistério do feminino. “Se essa imagem de mulher bonita, charmosa, atraente, funciona como um pólo de atração para o que ela escreveu, então não há como rejeitar esses atributos físicos”, afirma Nádia Gotlib. “São uma isca para os seus textos. Mas a beleza da sua arte está acima desses traços de mulher bonita”, ressalva.
 
Clarice dominava o universo feminino e partia dele para falar da sua experiência de mundo. “Ela priorizou protagonistas mulheres, mas na obra da Clarice, essas mulheres ganham uma dimensão universal que toca nas entranhas do humano”, afirma Yudith.
 
Muitas das personagens de Clarice estão ligadas a vida doméstica, a ambientes internos e familiares. “É uma escritora do feminino”, afirma Yudith. “Mas esse feminino pode ser vivido por um homem. A importância da obra da Clarice não está só ligada ao fato dela ter falado de e para mulheres. No século 21, seus contos e romances continuam dissecando o desamparo do ser humano”, diz a professora. 
 
“É um olhar histórico da mulher aprisionada em casa, mas que tem caráter universal, mesmo fora dessas condições sócio-econômicas.”
 
“Confesso que até alguns anos atrás pensava que Clarice era lida mais por mulheres. Hoje acho que não. Afinal, o mergulho nas profundezas da alma humana pode feito por qualquer um”, afirma Nádia.
 
E vale ler Clarice a conta-gotas, em frases soltas, para entender o que é a vida? “Muitos são iniciados em Clarice lendo pequenos trechos pela internet. E destes textos passam, depois, para outros textos publicados em livros”, diz Nádia. “Continua sendo o melhor modo de ler a autora.”
 
Mas fica o alerta: “Muitos dos textos que circulam na internet não são de Clarice.”
 
Inspire-se nas frase autênticas de Clarice Lispector sobre a vida, sobre ser mulher e sobre o amor
 
“Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com seu amante” – do conto “Felicidade Clandestina”
 
“O destino de uma mulher é ser mulher”, em “A hora da Estrela”
 
“Eu antes era uma mulher que sabia distinguir as ciosas quando as via. Mas agora cometi o erro grave de pensar”, em Um Sopro de Vida
 
“Por caminhos tortos, viera a cair num destino de mulher, com a surpresa de nele caber como se o tivesse inventado” , do conto “Amor”
 
“Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”, em Perto do Coração Selvagem
 
“A vida é curta demais para eu ler todo o grosso dicionário a fim de por acaso descobrir a palavra salvadora”
 
“A vida é igual em toda a parte e o que é necessário é a gente ser a gente”
 
“Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca” – em “A Descoberta do Mundo”
 
“Com todo perdão da palavra, eu sou um mistério para mim”, frase de Clarice em “Esboço para um futuro retrato”, de Olga Borelli
 
“Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão” – “Uma aprendizagem ou o livro dos prazeres”
 
“E ‘eu te amo’ era uma farpa, que não se podia tirar com uma pinça” – “A Paixão segundo G.H”.
 
“O maior obstáculo para eu ir adiante: eu mesma. Tenho sido a maior dificuldade no meu caminho. É com enorme esforço que consigo me sobrepor a mim mesma” – “Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres”
 
Fonte: Ig

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Clarice Lispector - Falsas Atribuições: http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3560471

Nota: "cult" = culto


Publicado por Rosangela Aliberti em 02/12/2012 às 15h58
 
02/12/2012 15h46
A PERFEIÇÃO - CLARICE LISPECTOR (uma crônica, não é um poema!)

 

A PERFEIÇÃO

O que me tranquiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. Apesar da verdade ser exata e clara em si própria, quando chega até nós se torna vaga pois é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição.  [Clarice Lispector, in: A descoberta do mundo]

http://books.google.com.br/books?id=4Zkfn0pB_YEC&pg=PA117&lpg=PA117&dq=a+perfei%C3%A7ao+lispector&source=bl&ots=QhRmOzDUZ5&sig=C8TUMPL7nVeWXKAFXU9MzfrZ4G0&hl=pt-BR&sa=X&ei=zJK7UPv3NZSI9ASh5YGIAw&ved=0CFIQ6AEwBzgo#v=onepage&q=a%20perfei%C3%A7ao%20lispector&f=false

Visite FALSAS ATRIBUIÇÕES CLARICE LISPECTOR

http://www.recantodasletras.com.br/artigos/3560471

Nota: "cult" = culto


Publicado por Rosangela Aliberti em 02/12/2012 às 15h46



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