Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
13/05/2014 01h03
Clarice Lispector

Atenção estes trechos são fragmentos
...do livro A Paixão Segundo GH:

Pois em mim mesma eu vi como é o inferno...(...) p. 143 (...) E porque minha alma é tão ilimitada que já não sou eu, e porque ela está tão além de mim - é que sempre sou remota a mim mesma, sou-me inalcançável como me é inalcançável um astro... (...) p. 146 (...) O mistério do destino humano é que somos fatais, mas temos a liberdade de cumprir ou não o nosso fatal: de nós depende realizarmos o nosso destino fatal... (...) mas de mim depende eu vir a ser o que fatalmente sou... p.148 (...) E não preciso sequer cuidar da minha alma, ela cuidará fatalmente de mim, e não tenho que fazer para mim mesma uma alma: tenho apenas que escolher viver. Somos livres, e este é o inferno. p. 148

Clarice Lispector
In: A Paixão Segundo GH
5 ed. Rio de Janeiro
J. Oliympio 1977
páginas diversas

*

Nota: Enviado por e-mail, provavelmente recolhido de algum blog(ue), estava na forma de poesia, mas não é um poema.

*

Favor quem realmente tiver gosto pela Literatura, CITAR a fonte. 

Foto Galeria de Vi 
- Flickr

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 13/05/2014 às 01h03
 
09/05/2014 00h12
O Caso Elizabeth Thomas


"Atualmente Elizabeth Thomas é uma mulher mentalmente saudável."

Quando pequena e com rosto angelical mas com palavras que assustam muita gente! Você vai conhecer a mente de uma criança psicopata que anseia matar o irmão e a seus próprios pais a sangue frio. Essa entrevista mostra os efeitos do abuso sexual na mente de uma criança! A mãe dela morreu e a deixou com o pai e o irmão mais novo quando ela tinha apenas 1 ano.
Foi tocada pelo pai até sangrar e logo depois levada para adoção por assistentes sociais.Ela começou a molestar seu irmão e o furava com agulhas, assim como animais, matou pássaros e os pais têm que manter ela trancada em um quarto longe do irmão e do alcance deles!Em Abril de 1989, Beth foi encaminhada para uma casa especializada em cuidar de crianças com desordem emocional, sendo diagnosticada com Transtorno de Apego Reativo. O TRANSTORNO DE APEGO REATIVO é um grave distúrbio psicológico e afeta crianças e bebês. A característica essencial do Transtorno de Apego Reativo é uma ligação social acentuadamente perturbada e inadequada ao nível de desenvolvimento na maioria dos contextos, com início antes dos cinco anos de idade e associada ao recebimento de cuidados amplamente patológicos.

A condição de Beth envolve a completa incapacidade de se relacionar com qualquer ser humano e/ou criar laços de afeto, incapacidade de sentir ou receber amor, além de uma completa falta de empatia, uma vez que ela era capaz de ferir ou matar outros seres vivos sem ressentimentos.Se tornou enfermeira na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e trabalha cuidando de minúsculos bebês frágeis. Ela escreveu um livro, “More than a Thread of Hope” e, junto com sua mãe adotiva, Nancy Thomas, criou uma clínica para crianças com distúrbios graves de comportamento. Sua vida de sobrevivência e vitória traz esperança e compreensão para pais e profissionais, trabalhando para curar a criança afetada e, acima de tudo, capacitar os pais com uma visão positiva para o futuro do seu filho.

(na foto: Beth Thomas)

A ira de um anjo
http://www.youtube.com/watch?v=8Bp-cgUQpbk#t=1590

http://psicologia-forense.blogspot.com.br/2012/11/caso-beth-thomas-documentario.html

http://en.wikipedia.org/wiki/Child_of_Rage


Publicado por Rosangela Aliberti em 09/05/2014 às 00h12
 
08/05/2014 18h00
Pálpebras de Neblina - Caio Fernando Abreu

Obs: Favor NÃO repassar como se fosse de Clarice Lispector!

PÁLPEBRAS DE NEBLINA

Texto tristíssimo, paraser lido ao som de Giulietta Masina, de CaetanoVeloso.Fim de tarde. Dia banal, terça, quarta-feira. Eu estava me sentindo muito triste. Você pode dizer que isso tem sido freqüente demais, até mesmo um pouco (ou muito) chato. Mas, que se há de fazer, se eue stava mesmo muito triste? Tristeza-garoa, fininha, cortante,persistente, com alguns relâmpagos de catástrofe futura. Projeções: e amanhã, e depois? e trabalho, amor, moradia? o que vai acontecer?Típico pensamento-nada-a-ver: sossega, o que vai acontecera contecerá. Relaxa, baby, e flui: barquinho na correnteza, Deus dará.Essas coisas meio piegas, meio burras, eu vinha pensando naquele dia.Resolvi andar.Andar e olhar. Sem pensar, só olhar: caras, fachadas, vitrinas,automóveis, nuvens, anjos bandidos, fadas piradas, descargas de monóxido de carbono. Da Praça Roosevelt, fui subindo pela Augusta,enquanto lembrava uns versos de Cecília Meireles, dos Cântico: “Nãodigas: ‘Eu sofro’. Que é que dentro de ti és tu?/ Que foi que teensinaram/ que era sofrer?” Mas não conseguia parar. Surdo a qualquer zen-budismo o coração doía sintonizado com o espinho. Melodrama:nem amor, nem trabalho, nem família, quem sabe nem moradia —coração achando feio o não-ter. Abandono de fera ferida, bolero radical.Última das criaturas, surto de lucidez impiedosa da Big Loira de Dorothy Parker. Disfarçado, comecei a chorar. Troquei os óculos de lentes claras pelos negros ray-ban — filme. Resplandecente de infelicidade, eu subiaa Rua Augusta no fim de tarde do dia tão idiota que parecia não acabarnunca. Ah! como eu precisava tanto que alguém me salvasse do pecadode querer abrir o gás. Foi então que a vi.Estava encostada na porta de um bar. Um bar brega — aqueles da Augusta-cidade, não Augusta-Jardins. Uma prostituta, isso era o mais visível nela. Cabelo mal pintado, cara muito maquiada, minissaia, decote
fundo. Explícita, nada sutil, puro lugar-comum patético. Em pé, decostas para o bar, encostada na porta, ela olhava a rua. Na mão direita tinha um cigarro; na esquerda, um copo de cerveja. E chorava, elachorava. Sem escândalo, sem gemidos nem soluços, a prostituta nafrente do bar chorava devagar, de verdade. A tinta da cara escorria comas lágrimas. Meio palhaça, chorava olhando a rua. Vez em quando, dava uma tragada no cigarro, um gole na cerveja. E continuava a chorar —exposta, imoral, escandalosa — sem se importar que a vissem sofrendo.Eu vi. Ela não me viu. Não via ninguém, acho. Tão voltada para suaprópria dor que estava, também, meio cega. Via pra dentro: charco,arame farpado, grades. Ninguém parou. Eu, também, não. Não era um espetáculo imperdível, não era uma dor reluzente de neon, não estava enquadrada ou decupada. Era uma dor sujinha como lençol usado porum mês, sem lavar, pobrinha como buraco na sola do sapato. Furo na meia, dente cariado. Dor sem glamour, de gente habitando aquela camada casca-grossa da vida. Sem o recurso dessas benditas levezas nossas de cada dia — uma dúzia de rosas, uma música de Caetano, urnac aixa de figos.Comecei a emergir. Comparada à dor dela, que ridícula a minha ,de brasileiro-médio-privilegiado. Fui caminhando, mais leve. Mas sóquando cheguei à Paulista compreendi um pouco mais. Aquela prostituta chorando, além de eu mesmo, era também o Brasil. Brasil 87:explorado, humilhado, pobre, escroto, vulgar, maltratado, abandonado, sem um tostão, cheio de dívidas, solidão, doença e medo. Cerveja e cigarro na porta do boteco vagabundo: Carnaval, futebol. E lágrimas.Quem consola aquela prostituta? Quem me consola? Quem consola você, que me lê agora e talvez sinta coisas semelhantes? Quem consola este país tristíssimo? Vim pra casa humilde. Depois, um amigo me chamou para ajudá-lo a cuidar da dor dele. Guardei a minha no bolso. E fui. Não por nobreza:cuidar dele faria com que eu esquecesse de mim. E fez. Quando gemeu “dói tanto”, contei da moça vadia sozinha chorando, bebendo e fumando (como num bolero). E quando ele perguntou “por quê?”, compreendi ainda mais. Falei: “Porque é daí que nascem as canções”. E senti um amor imenso. Por tudo, sem pedir nada de volta. Não ter pode ser bonito, descobri. Mas pergunto inseguro, assustado: a que será que se destina?

Caio Fernando Abreu, in: Pequenas Epifanias
O Estado de S. Paulo, 18/11/1987

Tira-teima:http://pt.scribd.com/doc/66837089/Caio-Fernando-Abreu-Pequenas-Epifanias-PDF-Rev

 

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 08/05/2014 às 18h00
 
07/05/2014 23h57
Infância e Para sempre - Carlos Drummond de Andrade / Pais e Filhos Khalil Gibran

 

Infância
Carlos Drummond de Andrade

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

.....................................................

PARA SEMPRE

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
— mistério profundo —
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade,
in: "Lição de Coisas"
Companhia das Letras

.................

Pais e Filhos

Vossos filhos não são vossos filhos: são os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós, e embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; Pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força, para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável. (Gibran Khalil Gibran)

Padre Fábio de Melo se emociona ao falar com sua mãe
https://www.youtube.com/watch?v=w9qewEZ9Ju8

https://www.youtube.com/watch?v=n_GO8P90tCM


Publicado por Rosangela Aliberti em 07/05/2014 às 23h57
 
06/05/2014 15h27
ABALANDO ESTRUTURAS - Martha Medeiros

ABALANDO ESTRUTURAS

Uma amiga minha vive dizendo que odeia amarelo, que prefere tomar cianureto a usar uma roupa amarela.

Quem a conhece já a ouviu dizer isso mil vezes, inclusive seu namorado. Pois uns dias atrás ela me contou que esse seu namorado chegou em sua casa e, mesmo os dois estando a uma semana sem se ver, brigaram nos primeiros cinco minutos de conversa e ele foi embora. “Mas o que aconteceu?”, perguntei. “Eu sei lá”, me respondeu ela. “Estávamos morrendo de saudades um do outro, mas começamos a discutir por causa de uma bobagem”. Eu: “Que bobagem?”. Então ela me disse: “Você não vai acreditar, mas ele ficou desconcertado por eu estar usando uma camiseta amarela”.

Ora, ora. Era a oportunidade para eu utilizar meus dons de psicóloga de fundo de quintal. Perguntei para minha amiga: “Quer saber o que eu acho?”. A irresponsável respondeu: “Quero”. Mal sabia ela que eu recém havia assistido a uma palestra sobre as armadilhas da tão prestigiada estabilidade. Arregacei as mangas e mandei ver.

Você está namorando o cara há pouco tempo. Sabemos como funcionam esses primeiros encontros. Cada um vai fornecendo informações para o outro: eu adoro rock, eu tenho alergia a frutos do mar, tenho um irmão com quem não me dou bem, prefiro campo em vez de praia, não gosto de teatro, jamais vou ter uma moto, não uso roupa amarela. A gente então vai guardando cada uma dessas frases num baú imaginário, como se fosse um pequeno tesouro. São os dados secretos de um novo alguém que acaba de entrar em nossa vida. Assim vamos construindo a relação com certa intimidade e segurança, até que um belo dia nosso amor propaga as maravilhas de uma peça de teatro que acabou de assistir, ou sugere 20 dias de férias numa praia deserta, ou usa uma roupa amarela. Pô, como é que dá pra confiar numa criatura dessas?

Pois dá. Aliás, é mais confiável uma criatura dessas do que aquela que se algemou em meia dúzia de “verdades” inabaláveis, que não muda jamais de opinião, que registrou em cartório sua lista de aversões. Vale para essas bobagens de roupa amarela e praia deserta, e vale também para coisas mais sérias, como posicionamentos sobre o amor e o trabalho. Mudanças não significam fragilidade de caráter. É preciso ter certa flexibilidade para evoluir e se divertir com a vida. Mas ainda: essa flexibilidade é fundamental para manter nossa integridade, por mais contraditório que pareça. Vieram-me agora à mente os altos edifícios que são construídos em cidades propensas a terremotos, que mantêm em sua estrutura um componente que permite que eles se movam durante o abalo. Um edifício que balança! Com que propósito? Justamente para não vir abaixo. Se ele não se flexibilizar, a estrutura pode ruir.

O fato de transgredirmos nossas próprias regras só demonstra que estamos conscientes de que a cada dia aprendemos um pouco mais, ou desaprendemos um pouco mais, o que também é amadurecer. Não estamos congelados em vida. Podemos mudar de idéia, podemos nos reapresentar ao mundo, podemos nos olhar no espelho de manhã e dizer: bom dia, muito prazer. Ninguém precisa ficar desconcertado diante de alguém que se desconstrói às vezes.

Eu também não gosto de roupa amarela. Quem abrir meu armário vai encontrar basicamente peças brancas, pretas, cinzas e em algumas tonalidades de verde. No entanto, hoje de manhã saí com um casaco amarelo canário! Tenho há mais de 10 anos e quase nunca usei. Pois hoje saí com ele para dar uma volta e retornei para casa sendo a mesmíssima pessoa, apenas um pouco mais alegre por ter me sentido diferente de mim mesma, o que é vital uma vez ao dia.

(texto de Martha Medeiros, publicado no Jornal “Zero Hora” em 13/01/2008)


Publicado por Rosangela Aliberti em 06/05/2014 às 15h27



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