Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
06/05/2014 15h11
Tempo que foge! não é de Rubem Alves é de RICARDO GONDIM (aqui o que é de Rubem Alves)

 

Se eu tiver apenas um ano a mais de vida...

Faz cinco anos que um grupo de amigos se reúne comigo para ler poesia. Para que ler poesia? Para a gente ficar mais tranquilo e mais bonito. Mas não me entendam mal. Já observaram os urubus - como eles voam em meio à ventania? Eles nem batem as asas. Apenas deixam-se levar, flutuam. Esse jeito de ser chama-se sabedoria. A poesia nos torna mais sábios, retirando-nos do torvelinho agitado com que a confusão da vida nos perturba. Drummond, escrevendo sobre a Cecília Meireles, disse: "Não me parecia criatura inquestionavelmente real; por mais que aferisse os traços de sua presença entre nós, marcada por gestos de cortesia e sociabilidade, restava-me a impressão de que ela não estava onde nós a víamos. Por onde erraria a verdadeira Cecília, que, respondendo à indagação de um curioso, admitiu ser seu principal defeito 'uma certa ausência do mundo'? Do mundo como teatro, em que cada espectador se sente impelido a tomar parte frenética no espetáculo, sim; mas não, porém, do mundo das essências, em que a vida é mais intensa porque se desenvolve em um estado puro, sem atritos, liberta das contradições da existência".

Pois é isso que a poesia faz: ela nos convida a andar pelos caminhos da nossa própria verdade, os caminhos onde mora o essencial. Se as pessoas soubessem ler poesia é certo que os terapeutas teriam menos trabalho e talvez suas terapias se transformassem em concertos de poesia!

Pois aconteceu que, numa dessas reuniões, quando líamos trechos da Agenda 2001 - Carpe Diem, encontramos, no dia 2 de fevereiro, essa afirmação de Gandhi: "Eu nunca acreditei que a sobrevivência fosse um valor último. A vida, para ser bela, deve estar cercada de vontade, de bondade e de liberdade. Essas são coisas pelas quais vale a pena morrer." Essas palavras provocaram um silêncio meditativo, até que um dos membros do grupo, que se chama "Canoeiros", sugeriu que fizéssemos um exercício espiritual. Um joguinho de "faz-de-conta". Vamos fazer de conta de sabemos que temos apenas um ano mais de vida. Como é que viveremos, sabendo que o tempo é curto, "tempus fugit"?

A consciência da morte nos dá uma maravilhosa lucidez. D. Juan, o bruxo do livro "Viagem a Ixtlan", advertia o seu discípulo: "Essa bem pode ser a sua última batalha sobre a terra". Sim, bem pode ser. Somente os tolos pensam de outra forma. E se ela pode ser a última batalha, ela deve ser uma batalha que valha a pena. E, com isso, nos libertamos de uma infinidade de coisas tolas e mesquinha que permitimos se aninhem em nossos pensamentos e coração. Resta então a pergunta: "O que é o essencial?" Um conhecido meu, místico e teólogo da Igreja Ortodoxa Russa (seu livro - maravilhoso - "Para a vida do mundo", está sendo traduzido e em breve será publicado pela Paulus), ao saber que tinha um câncer no cérebro e que lhe restavam não mais que seis meses de vida, chegou à sua esposa e lhe disse: "Inicia-se aqui a liturgia final". E, com isso, começou uma vida nova. As etiquetas sociais não mais faziam sentido. Passou a receber somente as pessoas que desejava receber, os amigos, com quem podia compartilhar seus sentimentos. Eliot se refere a um tempo em que ficamos livres da compulsão prática - fazer, fazer, fazer. Não havia mais nada a fazer. Era hora de se entregar inteiramente ao deleite da vida: ver os cenários que ele amava, ouvir as músicas que lhe davam prazer, ler os textos antigos que o haviam alimentado.

O fato é que, sem que o saibamos, todos nós estamos enfermos de morte e é preciso viver a vida com sabedoria para que ela, a vida, não seja estragada pela loucura que nos cerca.

Lembrei-me das palavras de Walt Whitman: "Quem anda duzentos metros sem vontade/ anda seguindo o próprio funera / vestindo a própria mortalha..." Pensei então nas minhas longas caminhadas pelo meu próprio funeral, fazendo aquilo que não desejo fazer, fazendo porque outros desejam que eu faça. "Sou o intervalo entre o meu desejo e aquilo que os desejos dos outros fizeram de mim" - Álvaro de Campos. Sou esse intervalo, esse vazio - de um lado o meu desejo (onde foi que o perdi?); do outro lado o desejo dos outros que esperam coisas de mim. Não, não são os inimigos que me impõem o intervalo. Inimigos - não lhes dou a menor importância. Os desejos que me pegam são os desejos das pessoas que amo - anzóis na carne. Como tenho raiva do Antoine de Saint Exupéry - "tornamo-nos eternamente responsáveis por aqueles que cativamos..." Mas isso não é terrível? Ser reponsável por tanta gente? Cristo, por amar demais, terminou na cruz. Embora não saibamos, o amor também mata.

Então, abandonar o amor? Não. Mas é preciso escolher. Porque o tempo foge. Não há tempo para tudo. Não poderei escutar todas as músicas que desejo, não poderei ler todos os livros que desejo, não poderei abraçar todas as pessoas que desejo. É necessário aprender a arte de "abrir mão" - a fim de nos dedicarmos àquilo que é essencial.

Aí eu comecei a pensar nas coisas que amo e que abandonei - vejam só: nesse preciso momento me dei conta de que, por causa dessa crônica não liguei a fonte que faz um barulhinho de água e nem pus nenhuma música no meu tocador de CDs, a pressa era demais, a obrigação era mais forte. Tudo bem agora, a fonte faz o seu barulhinho e o Arthur Moreira Lima toca minha sonata favorita de Mozart, em lá maior KV 331 - coisas que amo e abandonei. Eu, mau leitor de poesia! Poesia lida e não vivida! Não levei a sério o dito pelo Fernando Pessoa: "Ai, que prazer não cumprir um dever. Ter um livro para ler e não o fazer! Grande é a poesia, a bondade e as danças... Mas o melhor do mundo são as crianças..."

Sempre fui louco por jardins. Uns acham que eu não acredito em Deus. Como não acreditar em Deus se há jardins? Um jardim é a face visível de Deus. E essa face me basta. Não tenho necessidade de ir olhar atrás das estrelas... Escrevi inúmeros textos sobre jardins. Num jardim estou no paraíso. Mas, que foi que fiz com o meu jardim? Abandonei. A caixa das abelhinhas apodreceu, caiu a tampa e eu não fiz nada. Cresceu o mato eu eu não fiz nada. Da fonte tirei os peixes, coitados... De lugar de prazer, onde se assentar em abençoada vadiação contemplativa, meu jardim virou um lugar de passagem. Abandonei o meu amigo, por causa do dever. Para o inferno com o dever! Vou mesmo é cuidar do meu jardim. Por prazer meu. E pela alegria das minhas netas. Vou reformar a fonte, vou fazer um balanço (que os paulistas insistem em chamar de balança...), vou reformar o gramado, vou refazer a casa das abelhinhas, vou fazer uma cobertura para as orquídeas. E mais, vou fazer uma "casinha de bruxa", cheia de brinquedos, para as minhas netas, a Mariana, a Camila, a Ana Carolina, a Rafaela e a Bruna... Quero brincar com elas. Breve elas terão crescido e não mais terei netas com quem brincar. "Mas o melhor do mundo são as crianças..."

Vou voltar a tocar piano - coisas fáceis: a "Fantasia", de Mozart, a "Träumerai", de Schumann, o Improviso op. 90. n. 4 de Schubert, o prelúdio da "Gota dágua", de Chopin, alguns adágios de sonatas de Beethoven.

Quero ouvir música: aquelas que fazem parte da minha alma. Pois a alma, no seu lugar mais fundo, está cheia de música. E, sem precisar me desculpar pelo meu gosto, digo que amo música erudita. Música erudita é aquela que nos faz comungar com a eternidade. As outras, são bonitas e gostosas - mas são coisa do tempo.

Quero reler livros que já li. Vou relê-los porque é sempre uma alegria caminhar por caminhos conhecidos e esquecidos. É como se fosse pela primeira vez.

Não quero novidades. Não vou comprar apartamentos ou terrenos. Não quero viajar por lugares que desconheço. Eliot: "E ao final de nossas longas explorações chegaremos finalmente ao lugar de onde partimos e o conheceremos então pela primeira vez..." É isso. Voltar às minhas origens, às coisas de Minas que tanto amo, a cozinha, os jardins de trevo, malva, romãs e manacás, as montanhas, os riachinhos, as caminhadas...

Há coisas que só poderei gozar em solidão. Ninguém é obrigado a gostar das músicas que amo. Entrando no seu mundo, gozarei de abençoada solidão. Lugar bom para se ouvir música assim é guiando o carro, sozinho, sem precisar conversar.

Mas quero meus amigos. Não do jeito do Roberto Carlos que queria ter um milhão de amigos. Não é possível ter um milhão de amigos. Quero meus poucos amigos. Amigos: pessoas em cuja presença não é preciso falar...

Estou tentando, estou começando. Espero que consiga...

RUBEM ALVES http://www2.uol.com.br/aprendiz/n_colunas/r_alves/id220101.htm

..................

OBS: Favor, não confundir com: Tempo que foge! por RICARDO GONDIM http://www.ricardogondim.com.br/poemas/1401/

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 06/05/2014 às 15h11
 
01/05/2014 15h57
REGRAS DE ETIQUETA - Netiqueta

REGRAS DE ETIQUETA - Netiqueta, por Roberta Palermo

 

A boa convivência na Internet depende de uma série de regras conhecidas como netiquette ou etiqueta na rede. As regras incluídas na etiqueta não foram definidas por uma autoridade no assunto, mas criadas pelos próprios usuários ao longo do tempo. Também não existe um texto único e definitivo sobre o tema, mas várias interpretações espalhadas pela rede.

Uso de MAIÚSCULAS
A maior parte das regras de etiqueta na rede dizem respeito à composição de mensagens de correio eletrônico ou em grupos de discussão. A primeira e mais conhecida dessas regras é: nunca use CAIXA ALTA em todo o seu texto. Convencionou-se na Internet que a caixa alta serve para fazer de conta que você está GRITANDO. Somente utilize maiúsculas quando quiser dar ênfase a algumas palavras. Veja o exemplo.
Errado: GOSTARIA DE CONFIRMAR REUNIÃO NA PRÓXIMA SEGUNDA. DEVEMOS ESCOLHER CORES DOS PRODUTOS.
Certo: Gostaria de confirmar reunião na próxima segunda. Devemos escolher cores dos produtos.

Evite mensagens inflamadas
Conhecidas em inglês como flames, as mensagens inflamadas são a praga dos grupos de discussão. Uma vez iniciada uma corrente de flames é difícil conter os ânimos. Quando ler uma mensagem desse tipo, ignore-a.

Trate as pessoas com urbanidade.O respeito é uma via de mão dupla. Respeite para ser respeitado. Observe que os casos de abusos graves podem sujeitá-lo a ações judiciais por danos.

Pense globalmente
Tenha em mente que podem existir no grupo participantes de nacionalidade, raça, credo, idade e sexo diferentes do seu. Tome cuidado nos seus comentários para não ofender seus companheiros.

Defina claramente o Assunto da Mensagem
Seu objetivo no grupo é comunicar-se com os demais. Muitos assinantes escolhem o que lerão de acordo com o Assunto e/ou o Remetente. Deixe claro sobre o que vai falar.

Parágrafos
É boa prática deixar linhas em branco entre blocos de texto. Dessa forma, o texto fica organizado e mais fácil de ler, mesmo que a mensagem seja longa.

Respostas
Procure responder a todas as mensagens pessoais. Lembre-se de agradecer às pessoas que o ajudarem.
Não inclua TODO o conteúdo da mensagem respondida; deixe o suficiente apenas para indicar os pontos que você está comentando, ou a que frases se está respondendo, apagando o que estiver a mais

Citação: Os 10 mandamentos do Instituto da Ética da Internet
- Não deverá utilizar o computador para prejudicar terceiros.
- Não deverá interferir com o trabalho informático de terceiros.
- Não deverá vasculhar os ficheiros informáticos de terceiros.
- Não deverá utilizar o computador para roubar.
- Não deverá utilizar o computador para prestar falsos testemunhos.
- Não deverá utilizar ou copiar software pelo qual não pagou.
- Não deverá utilizar os recursos informáticos de terceiros sem autorização.
- Não deverá apropriar-se do trabalho intelectual de terceiros.
- Deverá pensar nas conseqüências sociais daquilo que escreve.
- Deverá utilizar o computador com respeito e consideração por terceiros."

art by Yannis Tsarouchis


Publicado por Rosangela Aliberti em 01/05/2014 às 15h57
 
29/04/2014 15h00
Uma citação e uma dica de site....................... WANDERLEY XAVIER JUNIOR

 

"Quem acende uma luz é o primeiro a beneficiar da claridade."
Gilbert Keith Chesterton, Inglaterra
[1874-1936] Escritor/Crítico

________________________________________________

 

Artista Plástico: WANDERLEY XAVIER JUNIOR

Visite o Acervo de pinturas, valerá a pena:


https://www.facebook.com/WANDERLEY.X.JUNIOR

*art by Elvgren

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 29/04/2014 às 15h00
 
29/04/2014 12h00
"Oh Capitão, meu capitão!” por Walt Whitman

OH CAPITÁN, MI CAPITÁN
Walt Whitman


Oh Capitán, mi Capitán:
nuestro azaroso viaje ha terminado.
Al fin venció la nave y el premio fue ganado.
Ya el puerto se halla próximo,
ya se oye la campana
y ver se puede el pueblo que entre vítores,
con la mirada sigue la nao soberana.

Mas ¿no ves, corazón, oh corazón,
cómo los hilos rojos van rodando
sobre el puente en el cual mi Capitán
permanece extendido, helado y muerto?

Oh Capitán, mi Capitán:
levántate aguerrido y escucha cual te llaman
tropeles de campanas.
Por ti se izan banderas y los clarines claman.
Son para ti los ramos, las coronas, las cintas.

Por ti la multitud se arremolina,
por ti llora, por ti su alma llamea
y la mirada ansiosa, con verte, se recrea.

Oh Capitán, ¡mi Padre amado!
Voy mi brazo a poner sobre tu cuello.
Es sólo una ilusión que en este puente
te encuentres extendido, helado y muerto.

Mi padre no responde.
Sus labios no se mueven.
Está pálido, pálido. Casi sin pulso, inerte.
No puede ya animarle mi ansioso brazo fuerte.
Anclada está la nave: su ruta ha concluido.
Feliz entra en el puerto de vuelta de su viaje.
La nave ya ha vencido la furia del oleaje.
Oh playas, alegraos; sonad, claras campanas
en tanto que camino con paso triste, incierto,
por el puente do está mi Capitán
para siempre extendido, helado y muerto.

Versión de Nicolás Bayona Posad


* * *


"Oh Capitão, meu capitão!”
Walt Whitman

Ó capitão! meu Capitão! Finda é a temível jornada,
Vencida cada tormenta, a busca foi laureada.
o porto é ali, os sinos ouvi, exulta o povo inteiro,
Com o olhar na quilha estanque do vaso ousado e austero.
Mas ó coração, coração!
O sangue mancha o navio,
No convés, meu Capitão
Vai caído, morto e frio.

Ó Capitão! meu Capitão! Ergue-te ao dobre dos sinos;
Por ti se agita o pendão e os clarins tocam teus hinos.
Por ti buquês, guirlandas...Multidões as praias lotam,
Teu nome é o que elas clamam; para ti os olhos voltam,
Capitão, meu querido pai,
Dormes no braço macio...
É meu sonho que ao convés
Vais caído, morto e frio.

Ah! Meu Capitão não fala, foi do lábio o sopro expulso...
Da nau acorada e ilesa, a jornada é concluída.
E lá vem ela em triundo da jornada antes temida.
Povo, exulta! Sino, dobra!
Mas meu passo é tão sombrio...
No convés meu Capitão
Vai caído, morto e frio.

Ó capitão! meu Capitão


Folhas de Relva
Trad. de Luciano Alves Meira
Ed. Martin Claret


* * *


O CAPTAIN! my Captain!

1

O CAPTAIN! my Captain! our fearful trip is done;
The ship has weather’d every rack, the prize we sought is won;
The port is near, the bells I hear, the people all exulting,
While follow eyes the steady keel, the vessel grim and daring:
But O heart! heart! heart! 5
O the bleeding drops of red,
Where on the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

2

O Captain! my Captain! rise up and hear the bells;
Rise up—for you the flag is flung—for you the bugle trills; 10
For you bouquets and ribbon’d wreaths—for you the shores a-crowding;
For you they call, the swaying mass, their eager faces turning;
Here Captain! dear father!
This arm beneath your head;
It is some dream that on the deck, 15
You’ve fallen cold and dead.

3

My Captain does not answer, his lips are pale and still;
My father does not feel my arm, he has no pulse nor will;
The ship is anchor’d safe and sound, its voyage closed and done;
From fearful trip, the victor ship, comes in with object won; 20
Exult, O shores, and ring, O bells!
But I, with mournful tread,
Walk the deck my Captain lies,
Fallen cold and dead.

Walt Whitman

* * *

O Capitaine! Mon Capitaine!
Walt Whitman


O Capitaine! Mon Capitaine!
O Capitaine! Mon Capitaine! Finie notre effrayante traversée!
Le navire a tous écueils franchi, le trophée que nous cherchions est conquis
Le port est proche, j'entends les cloches, la foule qui exulte,
En suivant la stable carène des yeux, le vaisseau brave et farouche.
Mais ô cœur! cœur! cœur!
O les gouttes rouges qui saignent
Sur le pont où gît mon Capitaine,
Étendu, froid et sans vie.

O Capitaine! Mon Capitaine! Dresse-toi, entends les cloches.
Dresse-toi - pour toi le drapeau est hissé - pour toi le clairon vibre,
Pour toi bouquets et couronnes enrubannées - pour toi les rives noires de monde,
Vers toi qu'elle réclame, la masse mouvante tourne ses faces ardentes.
Tiens, Capitaine! Père chéri!
Ce bras passé sous ta tête,
C'est un rêve que sur le pont
Tu es étendu, froid et sans vie.

Mon Capitaine ne répond pas, ses lèvres sont livides et immobiles;
Mon père ne sent pas mon bras, il n'a plus pouls ni volonté.
Le navire est ancré sain et sauf, son périple clos et conclu.
De l'effrayante traversée le navire rentre victorieux avec son trophée.
O rives, exultez, et sonnez, ô cloches!
Mais moi d'un pas accablé,
j'arpente le pont où gît mon capitaine,
Étendu, froid et sans vie.


* * *


"O Capitano! O mio capitano!

O Capitano! o mio Capitano! il nostro aspro viaggio è terminato,
La nave ha superato ogni pericolo, l'ambíto premio è stato conseguito,
Prossimo è il porto, odo le campane, tutto il popolo esulta,
Seguono gli occhi la carena salda, l'audace nave severa:

Ma o cuore, cuore, cuore,
O rosse gocce di sangue,
Dove sul ponte giace il Capitano,
Caduto, freddo, morto.

O Capitano! o mio Capitano! sorgi, odi le campane,
Sorgi, per te è issata la bandiera, per te squillano le trombe,
Per te fiori e ghirlande legate con i nastri - per te nere le rive,
Perché te invoca la ondosa folla, volgendo il volto ansiosi:

Ecco, o Capitano, o diletto padre,
Con il braccio ti sostengo il capo,
Non è che un sogno che, sopra il ponte,
Tu sei caduto, freddo, morto.

Ma non risponde il mio Capitano, restano inerti le sue labbra esangui,
Non sente il padre il mio braccio, non ha più polso, né volontà,
La nave s'è ancorata sana e salva, il viaggio è terminato,
Torna dall'arduo viaggio la nave vittoriosa, che ha raggiunto la meta:

Spiagge esultate, campane suonate!
Io, con funebre passo,
Cammino il ponte dove il Capitano giace,
Caduto, morto, freddo.

Walt Whitman

____________

“Tenho um segredo pra vocês. Aproximem-se! Não lemos nem escrevemos poesia porque é bonitinho. Lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana está repleta de paixão. E medicina, advocacia, administração, engenharia são objetivos nobres e necessários para manter-se vivo. Mas a poesia, beleza, romance, amor é para isso que nós vivemos. Citando Whitman: “Ó eu! Ó vida!Entre as questões que reaparecem, os intermináveis trens dos desleais, cidades cheias de tolos. O que há de bom entre eles, ó eu? Ó vida? Resposta. Que você está aqui. A vida existe e a identidade. Que essa brincadeira de poder continue e você pode contribuir com um verso.” Qual será o verso de vocês?” ( Do filme: Sociedade dos Poetas Mortos)


(créditos da arte desconheço)

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 29/04/2014 às 12h00
 
23/03/2014 02h11
Clarice Lispector - Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos. 

Clarice Lispector
In:  Para não esquecer
5ª ed. , Siciliano, São Paulo, 1992

*

Sugestão de som: Então me diz – Simone e Zélia Duncan
http://br.youtube.com/watch?v=WHnqux5iKks&feature=related


(foto de origem 
desconhecida)


Publicado por Rosangela Aliberti em 23/03/2014 às 02h11



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