Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Meu Diário
01/08/2008 12h00
IMPERDÍVEL!!! Eu, Etiqueta por Carlos Drummond de Andrade

Trecho

(...) “É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.”(...)

Na voz de Paulo Autran
...um dos Poemas de Carlos Drummond de Andrade
Eu, etiqueta
http://br.youtube.com/watch?v=SB64T1m_Z2g

*

Eu, Etiqueta
Carlos Drummond de Andrade

Em minha calça está grudado um nome
que não é meu de batismo ou de cartório,
um nome... estranho.
Meu blusão traz lembrete de bebida
que jamais pus na boca, nesta vida.
Em minha camiseta, a marca de cigarro
que não fumo, até hoje não fumei.
Minhas meias falam de produto
que nunca experimentei
mas são comunicados a meus pés.
Meu tênis é proclama colorido
de alguma coisa não provada
por este provador de longa idade.
Meu lenço, meu relógio, meu chaveiro,
minha gravata e cinto e escova e pente,
meu copo, minha xícara,
minha toalha de banho e sabonete,
meu isso, meu aquilo,
desde a cabeça ao bico dos sapatos,
são mensagens,
letras falantes,
gritos visuais,
ordens de uso, abuso, reincidência,
costume, hábito, premência,
indispensabilidade,
e fazem de mim homem-anúncio itinerante,
escravo da matéria anunciada.
Estou, estou na moda.
É doce estar na moda, ainda que a moda
seja negar minha identidade,
trocá-la por mil, açambarcando
todas as marcas registradas,
todos os logotipos do mercado.
Com que inocência demito-me de ser
eu que antes era e me sabia
tão diverso de outros, tão mim-mesmo,
ser pensante, sentinte e solidário
com outros seres diversos e conscientes
de sua humana, invencível condição.
Agora sou anúncio,
ora vulgar ora bizarro,
em língua nacional ou em qualquer língua
(qualquer, principalmente).
E nisto me comprazo, tiro glória
de minha anulação.
Não sou - vê lá - anúncio contratado.
Eu é que mimosamente pago
para anunciar, para vender
em bares festas praias pérgulas piscinas,
e bem à vista exibo esta etiqueta
global no corpo que desiste
de ser veste e sandália de uma essência
tão viva, independente,
que moda ou suborno algum a compromete.
Onde terei jogado fora
meu gosto e capacidade de escolher,
minhas idiossincrasias tão pessoais,
tão minhas que no rosto se espelhavam,
e cada gesto, cada olhar,
cada vinco da roupa
resumia uma estética?
Hoje sou costurado, sou tecido,
sou gravado de forma universal,
saio da estamparia, não de casa,
da vitrina me tiram, recolocam,
objeto pulsante mas objeto
que se oferece como signo de outros
objetos estáticos, tarifados.
Por me ostentar assim, tão orgulhoso
de ser não eu, mas artigo industrial,
peço que meu nome retifiquem.
Já não me convém o título de homem.
Meu nome novo é coisa.
Eu sou a coisa, coisamente.

Carlos Drummond de Andrade

O corpo.
Rio de Janeiro
Record,1984,
p.85-7

*

Atenção!!! 20 anos sem Drummond, confiram bem o que andam lendo e repassem corretamente. Não são de Carlos Drummond de Andrade, por não constar NENHUM referencial bibliográfico, fidedigno: 

Não são de Carlos Drummond de Andrade:

Almas Perfumadas ("Tem gente que tem cheiro de passarinho quando canta...") Autoria: Ana Cláudia Saldanha Jácomo

Ame... Ame com amor ("Encontre nos seus sentimentos a sua alegria.
Não procure nos valores materiais a sua tristeza. Ame... Ame com amor. e jamais com interesse...") Autoria Desconhecida

Conselhos de um velho apaixonado/ Dádiva de amor/Amor Verdadeiro ("Quando encontrar alguém e esse alguém") Autoria Desconhecida

Desejo a você/ DESEJOS ("Fruto do mato, Cheiro de jardim...") Autoria Desconhecida

Falar é fácil/Reverência ao Destino ("Falar é completamente fácil, quando se tem palavras...") Autoria Desconhecida "a confusão" se dá por causa dos repasses com um trecho do poema Eterno, in Fazendeiro do Ar, vide: http://pt.wikiquote.org/wiki/Carlos_Drummond_de_Andrade 
(Sem Referencial Bibliográfico)

Faxina na Alma/Limpeza da alma/Recomeço(ar) ("Não importa onde você parou..." - Se tiver a frase final: Porque sou do tamanho daquilo que vejo,e não do tamanho da minha altura de Alberto Caeiro,
um dos heterônimos de Fernando Pessoa, provavelmente adicionada pelo repassador ) Autor: Paulo Roberto Gaefke

Feliz Olhar Novo ("O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história...") Autoria Desconhecida

Gosto (“Gosto de gente com brilho nos olhos, que incendeia os outros com a chama do fogo da paixão...”) Autoria Desconhecida

Sobre namorados/ Ter ou não namorado (aquele clássico que iniciou essa droga toda... ("quem não tem namorado tirou férias de si mesmo...") Autor: Artur da Távola

Torcida ("Mesmo antes de nascer, já tinha alguém torcendo por você...") Autora: Liliana Barabino 

Outro trecho texto de autor desconhecido (...) Satânico é meu pensamento a teu respeito, e ardente é o meu desejo de apertar-te em minha mão, numa sede de vingança incontestável (...) AD
- sem referências bibliográficos.



*

Viver não dói (...A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade...)

Nota: Viver não dói, às vezes aparece na forma de poema, vem sendo apresentado como se fora de Drummond, mas na verdade tem como origem na crônica AS POSSIBILIDADES PERDIDAS de Martha Medeiros "enxerto" de Autoria Desconhecida. 

ATENÇÃO PARA:

AS POSSIBILIDADES PERDIDAS

Definitivo, como tudo o que é simples. Nossa dor não advém das coisas vividas, mas das coisas que foram sonhadas e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor? O certo seria a gente não sofrer, apenas agradecer por termos conhecido uma pessoa tão bacana, que gerou em nós um sentimento intenso e que nos fez companhia por um tempo razoável, um tempo feliz. Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos o que foi desfrutado e passamos a sofrer pelas nossas projeções irrealizadas, por todas as cidades que gostaríamos de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos, por todos os filhos que gostaríamos de ter tido junto e não tivemos, por todos os shows e livros e silêncios que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos. Por todos os beijos cancelados, pela eternidade interrompida.

Sofremos não porque nosso trabalho é desgastante e paga pouco, mas por todas as horas livres que deixamos de ter para ir ao cinema, para conversar com um amigo, para nadar, para namorar. Sofremos não porque nossa mãe é impaciente conosco, mas por todos os momentos em que poderíamos estar confidenciando a ela nossas mais profundas angústias se ela estivesse interessada em nos compreender. Sofremos não porque nosso time perdeu, mas pela euforia sufocada. Sofremos não porque envelhecemos, mas porque o futuro está sendo confiscado de nós, impedindo assim que mil aventuras nos aconteçam, todas aquelas com as quais sonhamos e nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido? A resposta é simples como um verso: se iludindo menos e vivendo mais.

Martha Medeiros

E atenção para:

Canção
Emilio Moura
 

Viver não dói. O que dói
é a vida que não se vive.
Tanto mais bela sonhada,
quanto mais triste perdida.

Viver não dói. O que dói
é o tempo, essa força onírica
em que se criam os mitos
que o próprio tempo devora.

Viver não dói. O que dói
é essa estranha lucidez,
misto de fome e de sede
com que tudo devoramos.

Viver não dói. O que dói,
ferindo fundo, ferindo,
é a distância infinita
entre a vida que se pensa
e o pensamento vivido.

Que tudo o mais é perdido

________________


Viver não dói

Definitivo, como tudo o que é simples.
Nossa dor não advém das coisas vividas,
mas das coisas que foram sonhadas
e não se cumpriram.

Por que sofremos tanto por amor?

O certo seria a gente não sofrer,
apenas agradecer por termos conhecido
uma pessoa tão bacana,
que gerou em nós um sentimento intenso
e que nos fez companhia por um tempo razoável,
um tempo feliz.

Sofremos por quê?

Porque automaticamente esquecemos
o que foi desfrutado e passamos a sofrer
pelas nossas projeções irrealizadas,
por todas as cidades que gostaríamos
de ter conhecido ao lado do nosso amor e não conhecemos,
por todos os filhos que
gostaríamos de ter tido junto e não tivemos,
por todos os shows e livros e silêncios
que gostaríamos de ter compartilhado, e não compartilhamos.
Por todos os beijos cancelados, pela eternidade.

Sofremos não porque
nosso trabalho é desgastante e paga pouco,
mas por todas as horas livres
que deixamos de ter para ir ao cinema,
para conversar com um amigo,
para nadar, para namorar.

Sofremos não porque nossa mãe
é impaciente conosco,
mas por todos os momentos em que
poderíamos estar confidenciando a ela
nossas mais profundas angústias
se ela estivesse interessada
em nos compreender.

Sofremos não porque nosso time perdeu,
mas pela euforia sufocada.

Sofremos não porque envelhecemos,
mas porque o futuro está sendo
confiscado de nós,
impedindo assim que mil aventuras
nos aconteçam,
todas aquelas com as quais sonhamos e
nunca chegamos a experimentar.

Como aliviar a dor do que não foi vivido?

A resposta é simples como um verso:
Se iludindo menos e vivendo mais!!!

"A cada dia que vivo,
mais me convenço de que o
desperdício da vida
está no amor que não damos,
nas forças que não usamos," 
(Mary Cholmondeley)
na prudência egoísta que nada arrisca,
e que, esquivando-se do sofrimento,
perdemos também a felicidade.

"A dor é inevitável.

O sofrimento é opcional." 
(Tim Hansel)

.....................

Sobre o enxerto: 

"Every year I live I am more convinced that the waste of life lies in the love we have not given, the powers we have not used…" (Mary Cholmondeley) =
"A cada dia que vivo mais me convenço de que o desperdício da vida... Esta no amor que não damos, nas forças que não usamos...” 

A frase final: 
"Pain in inevitable, but misery is optional" (Tim Hansel)
= “A dor é inevitável, o sofrimento é opcional”
 

Nota: Texto escrito em 2002, Drummond faleceu em 1987. 
 

em pps revisados:
http://www.esnips.com/doc/b7ff60d5-df6e-4ac2-a3c3-d8638834ee8f/Viver_não_dói_não-é-de-Drummond


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Dúvidas?! Se possível visite a Comunidade:
Afinal quem é o autor?
(Orkut)


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Foto Galeria de syssy
- Flickr

 

 

 

 

 

 

 

 


Publicado por Rosangela Aliberti em 01/08/2008 às 12h00

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