Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


A Seringueira

Fim de sol às cinco da tarde os braços daquela árvore eram incansáveis... 

Passarinhos tinham por hábito parar em seus galhos e com paciência de anjo-da-guarda aquela seringueira sempre se encontrava disposta à uma nova escuta aberta: de um lado os choramingados de pitangas de um rosário sem sumo nos bicos; do outro pequenos contos com gosto dos rompantes de medo, vergonha, raiva, confusão, falta de lucidez, esperança e talvez até... fe-li-ci-da-de. 

Passa na rua um trator
na gleba falta uma árvore
recordações no ar

Em outro fim da tarde, se poderá notar o cansaço de um pássaro, mas mesmo assim ele irá de encontro ao novo ninho amparado por um novo galho, (me pergunto se vozes cansadas de repetir caminhos... podem ser acolhidas pelos nervos ao redor de lábios com a força de um braço que segura um outro como se tirasse alguém do fundo do poço?) Pulando de um galho para um outro se pode encontrar algum descanso; uma velha seringueira poderá não se encontrar mais onde estava, no entanto uma outra árvore poderá fornecer descanso fazendo valer o dia. 

Alguns dizem que a esperança morre, isto sim eu chamaria de: Utopia.

Rosangela_Aliberti
São Paulo, 29.VII.08
Galeria de Rodrigo Vieira Soares
– Flickr

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Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 29/07/2008
Alterado em 21/08/2008


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