Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


[Desligamentos da fúria]


I

Conheci um homem de olhar lúgubre e sábio que transportava almas do inferno ao paraíso através das palavras. Fazia serenatas a luz da aura da lua arrebatado na embriaguez das novas musicais: “Não tenho o dom das trovas, no entanto todas às vezes que tua sombra toca minha pele, letras coloridas escorrem da boca das nuvens e minha essência transpira poesias que só com o tempo se descobre como se dá tal fala...  contagiando os dedos dos deuses, concordando com os ecos ora divinos ora perversos que poderão preencher os quatro cantos dos vazios no espaço.” 


II

Estimo diamantes internos, na estreiteza dos tempos: Quantos olhos com lágrimas... rejeitam a rigidez, a penúria, a desconfiança, a mesquinhez? Quantos sorrisos reforçam o ridículo, o crime, o castigo, a desonra no falar com sete pedras nas mãos... quantas paisagens tombadas... quantas tempestades! quantos copos de álcool mal diluídos na acidez. Quanta escuridão exagerada alimentada; quanta claridade nua no breu... quanto discurso frouxo, rasgos insaciados nas ilusões... quanta juventude mofada na velhice que limita conceitos... quanta filosofia ba-ra-ta rindo da boa fé.


III

Na chuva que lava a praia, pesco tonalidades-primavera no agora. Faíscas espiam o brilho do olhar momentâneo retirando da concha o ermitão: Nos sons das ondas a comer as meninas dos olhos... o vento arranha a areia, calcária branca e lilás a rolar... no quanto se quer e no quanto se pode ter.


Rosangela_Aliberti
Sampa 27.IX.08
Motes da Oficina de Rascunhos Poéticos
(Foto de origem desconhecida)

 

Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 27/09/2008
Alterado em 05/10/2008


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