Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

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Ilustração: Os Malvados - Andre Dahmer

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Quem são os chatos?
 

Certa vez escrevi no meu blog que a ignorância se combate nas escolas, mas a burrice, só matando os burros. A burrice realmente consegue me irritar. Ela não tem lógica, faz suas próprias regras e geralmente o burro ainda se enche de razão depois de dizer uma asneira. Uma pessoa burra nunca perde uma discussão, pois não entende os argumentos.

Não é de hoje que eu vejo a Jane Araújo, a Rosangela Aliberti e tantos outros serem chamados de chatos quando corrigem as autorias em outras comunidades. Pra mim, esse tipo de reação é o exemplo perfeito de burrice. A pessoa comete um erro e reclama de quem corrige. Em vez de aproveitar a chance de se instruir, ainda se incomoda.

Sim, nós somos chatos. Chatos como o guarda de trânsito que apita quando o motorista comete uma infração. Chatos como o pessoal na rua que começa a gritar quando algum carro entra na contramão. Chatos como a multidão que fica gritando "pega ladrão" quando alguém é roubado. Chatos como a loja, o banco ou administradora de cartão de crédito que fica ligando quando deixamos de pagar alguma conta. Chatos como a professora que devolve a prova com nota baixa quando as respostas estão erradas. Chatos como o caixa que reclama quando o valor pago está a menor. Chatos como o cliente que chia quando recebe troco errado.

Agora eu imagino o que aconteceria se eu entrasse na casa de algum desses analfabetos literários por opção própria e resolvesse sair levando algo da casa deles. Um vaso, por exemplo.
- Ei, esse vaso é meu!
- Não importa se é seu ou não. Achei bonito.
- Ei, você não entendeu? Eu comprei esse vaso! Ele me pertence!
- Meu objetivo não é saber quem comprou o vaso ou a quem pertence. O que interessa é que vai ficar bem na minha sala.
- Mas isso é roubo! Você está levando o meu vaso!
- Como vou saber se é mesmo seu? Estava em cima da mesa. Você tem registro de propriedade dele?
- Estou afirmando que é meu.
- Mas vai ficar bonito na minha casa. Minha esposa vai adorar.
- O vaso é meu!
- Puxa, mas você é chata, hein?
 
Eu poderia pensar em muitas outras analogias. Por exemplo:
- Você ainda quer vender aquele quadro do pintor famoso?
- Quero, sim. Você ainda quer comprá-lo? Vamos lá pegá-lo.
- Ei! Este quadro está diferente!
- Sim, eu fiz alguns retoques. Realcei as cores, acrescentei um bigode e coloquei um penacho no chapéu do sujeito.
- Mas como é que você faz isso! Agora eu não vou querê-lo mais.
- Por que não? Ficou até melhor. Antes estava sem graça.
- Mas você não pode adulterar um original!
- Ah, bobagem. O que importa é que ficou bonito.
- Você tinha uma obra valiosa nas mãos e a estragou!
- Ora, as pessoas não estão interessadas em saber quem pintou um quadro. O quadro é para enfeitar a parede. Se ficar bonito, isso é que importa.

Ou ainda: - Ouvi dizer que você tem um Portinari para vender. Eu sou colecionador e estou interessado em comprá-lo.
- Pois não, senhor. Aqui está o quadro.
- Ei, isso não é um Portinari!
- Mas é bonito! O senhor não vai querer?

Texto de Emilio Pacheco é jornalista, escreve sobre música para o International Magazine como free-lancer no:
http://emiliopacheco.blogspot.com

 
Emilio Pacheco
Enviado por Rosangela Aliberti em 03/05/2010
Alterado em 24/01/2016


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