Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


VAI EMBORA, TRISTEZA...
Maria José Limeira


Já que você chegou
sem aviso,
uma advertência oportuna:
eu não sou boa companhia.


*


[Não se tem todo tempo do mundo pra todo mundo]

no salão...
no meio do arrastão de pés
preservo fios de perfumes

...nem todos tiro
pra dançar

valorizo o suor frio
nas mãos
e alguns pares
de unhas encravadas...

rosangela_aliberti


.......................


CAMBALHOTAS
Maria José Limeira

No quietude da noite,
onde o sombrio aparece,
estrelas cadentes
são cabriolas no céu
que se atiram ao mar.

*

Mania de código morse
(• • • – – – • • •)

Pobreza e analfabetismo
andam de braços dados

garimpeiros terroristas
super stars
tem altos e baixos

recrutas e Betty Boops
se assanham...
dia após dia
doce é a sina
idiota
cuja a face atesta
um incerto amor
pela Cruz Vermelha

rosangela_aliberti

.................................


GLUB-GLUB-GLUB
Maria José Limeira


Jogar-se ao mar
para morrer
é dar o pulo-do-gato
na hora errada.

*

Sem comentários

Disseram-me que
arremesso de facas
dava liga com
Madonna Foice,
ébria que sou
joguei a marvada
goela abaixo

Na mosca


rosangela_aliberti


............................


IN-COMUNICABILIDADE
Maria José Limeira

Silêncio:
a terra-náufraga,
tão larga e rica,
jaz imersa no mutismo
de nós dois.

*

[Joana D'Arc ouvia vozes...]

Faço cara de feliz
quando a crítica bate a porta
cuspindo alguns versos meus

rosangela_aliberti
Atibaia, 30 de maio de 2010


*

LEMBRANÇAS
Maria José Limeira


Em algum lugar do passado,
meu coração ficou preso
entre os destroços
do inacabado.


*


[Estranhos viajantes]


uma vida...
na ponta da faca

duas, nas lascas
da pedra

três vidas
na ponta da língua

quatro nas
faíscas do nada

cinco
no fundo do copo

seis vidas
num mar de veneno

no Vale dos Desamores
almas poéticas
encontram sete vidas

rosangela_aliberti
Atibaia, 03 de junho de 2010

*



VAGA ESTRELA
Maria José Limeira

(Para Rosangela_Aliberti)

Tremeluzes na noite
erma e sombria,
entre obscuro e clarão,
num barco encouraçado
movido a solidão.

(arte recolhida da net)
Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 31/05/2010
Alterado em 11/07/2010


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