Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


Ave Maria prega por noi!

Segui uma procissão, você talvez nunca foi à uma procissão... pensando bem não tenho certeza se você nunca seguiu alguma procissão...

Segui uma das procissões mais belas ao ar livre, em um verão do mês de julho. Foi marcante porque me senti desafiada, sem nunca ter feito catecismo na vida, sem nunca ter provado o gosto físico de uma só hóstia, em um domingo, acompanhei as cores do céu, o movimento das aves e 
das nuvens, o perfume das flores no campo ao som de ladainhas, com pequenos primos vestidos (quase) de anjos em um asfalto que outrora eram ruas de terra, abracei primas com os olhos que trajam decotes nos finais de semana e naquele dia vestiram a camisa da paróquia: saia e sapatos da cor azul celeste; fiz parte do badalar dos sininhos das cabras montanhesas, (elas pararam para ver passar o ar de uma missa ao livre... passo a passo ). Não era um filme, realmente todos por ali queriam 
mostrar que sabiam rezar a Ave Maria: “Ave Maria piena di grazia/ Il 
Signore è con te/ Tu sei benedetta fra le donne/ E Benedetto è il fruto/ 
Del tuo seno Gesù...
E um novo coral correspondia "Santa Maria, Madre de Dio/ Prega por nói peccatori/ Adesso e nell`ora della/ Nostra morte. Amen

Se não encaixo bem a palavra “pecadora” no meu vocabulário usual, 
porque fiz questão de entrar na procissão?!
Há um magnetismo estranho que nos leva ao reencontro com as raízes,(quando se quer) não conheci meus avôs paternos, mas minha "nonna" havia pisado naquelas ruas com um escapulário em torno do pescoço, 
como minhas primas e meus primos-irmãos que estavam por lá; os contornos de nossos pés são iguais... no entanto a alegria de nossos antepassados caminha aqui no Novo Mundo, não tive o prazer de dançar uma só tarantela em dias de festas (as pessoas, agora dançam iguais 
umas as outras como se estivessem se reenquadrando em ritmos americanizados).

Até que ponto a antiga águia romana, não tem conexão com as águia americana???

Lembro-me que de repente um homem fechou a rua! Ele queria ir para o seu “paese” (uma das comunas italianas), não desejando que a procissão por ali passasse, armou um bom escarcéu, que italianos sabem fazer com Arte... parecia que queira falar mais alto do que todas as vozes, algo naquela procissão incomodava o tal homem... como apenas uma palavra pode gerar perturbação quando o centro não está bem equilibrado: PROCISSÃO. Talvez certas demonstrações de fé e esperança incomodem algumas pessoas... no entanto algo possa ter restado como as toalhas brancas estendidas na janela, reafirmando que se deve procurar por um abençoar a mesa fazendo com que toda a família se reúna em torno do 
pão nosso de cada dia.

No município, em que meu pai nasceu, ouvi a história de um padre ao ver “sua” igreja abalada, certo dia fora encontrado entre os escombros da paróquia a qual pertencia: morto, tinha se enforcado, bem na época em 
que o terremoto atingiu a região de Campânia, em 1980.

Aonde vai parar a fé, nos momentos de luto? Na concretização repentina 
de um estado psicótico.

Como as pessoas lidam com a “fé” nos momentos de dificuldades?
A fé movimenta desastres e verdadeiros "milagres".
Segui uma procissão, você talvez nunca foi à uma procissão... pensando bem não tenho certeza se você nunca seguiu alguma procissão... 
não tenho certeza se você nunca seguiu alguma PROCISSÃO...


...Se existe a tal da “ressurreição dos mortos” troco a frase por “reencarnação” o que é mais provável?
Ver algum morto levantando vivinho da tumba, dos ossários ou do pó dos tempos de Pompéia... para mim não é tão lógico como imaginar que o ser humano tenha uma essência capaz de retornar... em um novo corpo (se tiver azar ou sorte na mesma família); estudos vem sendo efetuados em algumas Universidades nos USA na tentativa de confirmar a existência da Energia da prece sobre animais adoentados... enquanto a ciência caminha retirando o arcaico das transcomunicações instrumentais através de fax, computador, telefones na formação de pontes com um mundo paralelo. Timbres de voz de pessoas quando vivas estão sendo comparadas a recepção de comunicações efetuadas por chamadas telefônicas, vozes de pessoas estão sendo estudadas em laboratórios por físicos na Itália, comprovando que as vozes dos “mortos”, estão sendo registradas no mundo dos vivos e isto não é: Fantasia.

Provavelmente um antigo fanático nunca se "reencarnaria" como “beato”, talvez por ter gravada na sua essência que não aplicou bem a voz do “Verbo...” não digo que pecou (pois o pecado é fruto da concepção daqueles que acreditam nos eternos reafirmadores do: “mea culpa”), 
mas por detrás dos afirmadores de "mea culpa", também existem grandes estudiosos... crentes em simples demonstrações de Fé.

Sim, há um (in)certo cinismo derivado da Grécia antiga em todo espírita. 
São Tomé, construído (alegoricamente) ou não... Não tocou nas chagas 
de Cristo apenas para mostrar que pessoas precisam "ver para crer..." tocou nas mãos de um dos estados Crísticos para sentir de fato o contato da DOR motivada pela falta de compreensão humana, MOMENTÂNEA.

Naquela procissão existiam pessoas com Fé. Sim, haviam pessoas movimentando o poder curador da palavra Fé mesmo que por hora fosse apenas através da movimentação dos lábios, esquecendo de como caminhar com ela no decorrer da semana.

Alguém pode me perguntar, mas afinal de contas? Como você seguiu esta PROCISSÃO?!
A força de meu pensamento voou Além do que possam imaginar.

Talvez tenha chegado junto ao padre da paróquia, que deixou o microfone de lado... e foi tirar “satisfação” com o tal homem que não se conformava em ser impedido por policiais pois queria diirigir seu automóvel naquele instante naquela rua (destruindo a PROCISSÃO)
- Mas o que você está fazendo??? Não tem respeito para com a Madona?

Muitas pessoas ao invés de se concentrarem na procissão... desviaram a atenção para a briga do padre com o representante do que possa se um pagão.

O que é considerado Bem sempre parece estar constantemente “puxando a orelha”, do que é considerado Mal.

O momento era do pároco e da toda a "sua paróquia" passar... é como alguém que escreve as linhas de sua vida conscientemente, dando vazão ao que tem de prioridade, o super-ego funciona como um pelotão de guardas... de mãos a postos:
- Estes por ora irão passar! Numa espécie de: “aquilo sim” e aqueles não.

Não carreguei o andor de São Miguel... mas, meu pai saiu do lugar onde estava para me dizer: - Filha “mia” na adolescência, um dia levei o arcanjo, hoje levo a Madona... Como me dissesse: - Conheço os caminhos de
 “meu povo”... Subimos degraus aos poucos, simbolicamente atrás do 
São Miguel que é muito semelhante ao São Jorge no Brasil, (não sei se naquela hora papà se sentiu “promovido” mas estava tão Alegre... talvez fosse a forma de me dizer, que ele respeitava a Madona.

Cada qual respeita a Madona que reconhece melhor, irmãos na Natureza, vocês acreditam que os amigos dos franciscanos podem falar com 
peixinhos no mar!?!

Não sei, hoje penso que aquela PROCISSÃO de certa forma clamava:
 - Deus abençoe cada rua, cada casa, cada pessoa desta comunidade
 e dos arredores, se existe uma Força Maior nos ensine a nos libertar de qualquer possível Vesúvio ou terremoto: Ave Maria prega por noi!


São Paulo, 19.IX.06
 
Arte de Padre Pio -
desconheço a origem
 

Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 20/09/2006
Alterado em 20/09/2006


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