Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


"La Violetera"

Violetas tem suas peculiaridades: uma violeta é considerada aparentemente uma flor que remete a lealdade a modéstia contudo para se chegar a modéstia se faz necessário o uso de uma palavrinha mágica: a humildade... para tanto ser humilde envolve algumas observações ao meu ver lançando mão da simplicidade (a humilde caminha com os puros de coração, sendo redundante com os simples - os ´descomplicados´), violetas são muito sensíveis possuindo seus pontos de dor... sofrem por ser extremamente delicadas. Sofrer, segundo o Larousse tem diversas conotações: “Sentir dor física ou moral, padecer, sofrer no sentido de sentir: experimentar, (...passar ´fome´por exemplo) bem como suportar, tolerar, admitir, permitir algum sofrimento assim como ser atormentado por...

Por detrás das junções de flores e cores recaio entre o azul e o vermelho:
Nasce uma violeta! Contudo nem sempre as pessoas se encontram prontas para as ´absorções´ de tal cor... às vezes se encontram mais para o vermelho do que o azul (ou vice-versa). Exemplifico: o vermelho visto no aspecto do mundo ´infernal´ tem como um dos despertadores a raiva e as paixões; a frieza está reservada ao azul transmissor da paz e da tranquilidade; no entanto o azul pode ser sentido com frieza na mente de um assassino ao planejar deliberadamente algum crime, muito embora um médico utilizando corretamente a energia necessite de doses azuis maciças de calma e calculismo mais os focos de vermelho que o impulsionem a operar.

O que aparentemente é ´morno´ encontra-se na atmosfera da zona chamada neutra no que ´toca´ um ser humano naquele momento, contudo isto não quer dizer, que 'nada que tenha sido dito é totalmente descartável...' uma opinião, a escolha de um gosto... aliás o: ´não quis me dizer nada´ nunca deixará de ter algo que fora descartado naquele instante por algum motivo embutido.
...

Hoje ao descer as escadarias do metrô observei ´meu trem´ indo em direção ao ponto que deveria ser o de entrada:
No meio das escadas, se deu o 'flash' momentâneo para a tomada de uma decisão... corri ao encontro do trem (poderia ter ficado estática, paralizada com o um dos lados do amarelo pois estava com tempo marcado para chegar em um local determinado) não sabia se daria tempo de pegar o metrô, um dos pares de sapato teve o cadarço desamarrado, o receio ´amarelo´ de tropeçar novamente surgiu... mas continuei correndo como se fosse um jogador no meio do campo com uma das chuteiras frouxas, observando alguma falha no ataque na expectativa de fazer ou não um gol... Por sorte o trânsito de pessoas estava um tanto intenso e consegui pegar o trem há tempo, no entanto sempre existirá no meio-de-campo o fator sorte (é como avistar uma situação esperando o fator reservado pelo destino), fiz a parte que acreditei que me cabia NAQUELE INSTANTE, no que se refere aos impulsos utilizando: o vermelho como fator de movimentação e a calma na espera para o que der e vier... alcançando por sorte meu objetivo.

Se a porta do trem estivesse fechada na minha frente, meu olhar se transformaria automaticamente ao me deparar com a frustação. Talvez ficasse por alguns minutos ´martelando´ no vermelho com raiva, até chegar no estado de tranquilidade até alcançar a paz no azul... porém algo intuitivamente me dizia que o estado de equílibrio está em se chegar na mescla destas tonalidades em torno dos sentimentos (ao menos nestes jogos no meio deste ´arco-íris do arco-da-velha´), apesar de muitas vezes ter perdido outros trens no meio do percurso.

Violetas me lembram uma Violetera em especial, a da ópera Carmem, a de Bizet... não sou cantora, sou uma escritora pequenina que caminha contando algumas passagens que possam despertar algo em alguém... Um ser violeta para mim não é apenas contemplar as nuances no dia, é recordar que se pode se metamorfosear entre cores e a alma das flores.

Termino o dia com a alegria camaleônica encontrada no sorriso alaranjado: na junção do vermelho mais o amarelo... girando fora da tela Girassóis de Van Gohg (dentro de meus saudáveis ´delírios´...) portando a alma de uma violeta azul africana que talvez possa ser considerada... singela.

Um abraço a você leitor que me seguiu até o fim deste texto:
De quem adora observar lírios em todos os campos...!!!

“A vida só pode ser compreendida, olhando para trás, mas deve ser vivida olhando para frente” (Soren Kierkegaard, Da Angústia)

São Paulo, 14.VII.05

(Fotógrafo: Desconheço a fonte)
Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 14/07/2005
Alterado em 10/03/2006


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