Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


A um jovem escritor, tão jovem quanto eu...

...Sou verde e somente a harmonia de um Mestre Adorinam Barbosa para me ensinar que nem tudo está perdido. Um escritor produz até enquanto dorme, têm uns que ACORDAM com uma caneta na mão.

Ao amigo que bateu em minha porta mostrando os benditos frutos produzidos, não sou crítica, meus deuses eu procuro analisar os outros de outra forma todos os dias (devido minha formação profissional) talvez por isso não tenha ‘saco’ para determinadas análises de texto, nem sei se saberia por onde começar... E para quem pensa que não entro em processo de Supervisão? Pago análise de vez em quando, bem antes que a corda aperte quase enforcando. O dia que uma de 'minhas' psicoterapeutas me perguntou por que você escreve desde pequena? Respondi. Ela parecia não ter compreendido o sentido da resposta que dei... me sugerindo que parasse de escrever... foi por melhor lhe dar as costas, sai de lá, porque a escrita é uma das formas de reorganização e “Têm coisas que se perdem que são bem melhores, do que achar.” (Anônimo).

Pois bem, amigo li seu convite para que eu lesse um pouquinho do que tem transitado no seu interior (tirado do baú ou não). Barbaridade! Logo para mim você foi perguntar isto? Eu também erro e muito, contudo confesso, chorei com o seu “gosto de escrever entretanto não aprecio fazer revisões sejam elas ortográficas ou com relação a concordâncias verbais etc”, veja bem foi você quem perguntou e eu não sou professora de Letras, porém li mais de um texto 'jogando cascas prá lá... jogando cascas pra cá’ recolhi o produto que classifiquei compreensível por tocar fundo em algumas emoções dentro de uma simplicidade até ingênua arrisco a dizer, para alguns... fiz vistas grossas com o coração paulistano de quem nasceu em um berço repleto de discordâncias entre as raízes.

De certa forma foi muito bom e lhe agradeço, porque me fez refletir no velho Goiás, na delicadeza de Cora Coralina em um de seus Contos: "O prato azul–pombinho", pendurei o caco do prato que sobrou que se tornou um colar para Cora, o surrupiei o colocando em meu pescoço no imaginário... logo em seguida meditei coçando a sobrancelha direita, sobre os novos reflexos da adolescência a qual na atual conjuntura insiste em contestar algo (?) se perdendo entre quero-queros escritos com ‘kás’. Não sei de onde surgiu esta fase e até onde poderão parar... no entanto leio procurando retirar o melhor daquilo que algum escritor pretende mostrar no momento, com um olho nas Patativas de Assares e o ouvido nos sotaques e nas construções rurais. "Nóis vai, nóis foi e nóis fica", talvez fique bem para quem está brincando de escrever errado e para quem sabe utilizar bem a voz... tudo tem que ter uma dose certa para ficar bom da culinária à sátira, com um quê de quero mais, o difícil é encontrar o ponto G. Têm pessoas que nascem sabendo?! Não, escrever é como sexo, só fica bom depois que se experimenta com satisfação e nenhum é beijo é igual, têm pessoas que atestam dor de cabeça mas vai saber se não tem a dona Preguicite no meio? É bem certo, que no mundo há pessoas que passam por cima da leitura sem enxergar porque existe a dona Dislexia que as impede de ver os próprios erros; 'o vento somente será favorável para quem souber aonde deseja chegar...' é uma das frases que guardei neste dia, e remédio bom para curar será que tem que ser sempre amargo?! Para quem depende das tarjas pretas o amargo nem sempre é doce por gerar dependência, e a dependência incomoda por isto é interessante se esforçar para fazer o melhor a medida do possível e acredito que você possa mais. Têm pessoas que mesmo bêbadas de sono insistem em imprimir SOS nos teclados e este pode até apresentar algum defeito... Tudo é relativo, o que será preferível: “Não posso ficar nem mais um minuto com você... ou não posso ficar nem mais um minuto SEM você?” Você decide, jovem escritor, sou filha única, porém tenho primos-irmãos que nasceram bem pra lá do Brasil e quem é 'irmão' em um campo de batalha reconsidera os erros dos outros que tem a tal da mesma essência, por aqui reflito: Já fui pó (mineral), já vegetei (como uma bela samambaia) já fui fera... hoje tenho mais receio dos humanos do que os animais atrás das cercas nos Zôos.

Meu caro amigo, meu raciocínio para as Letras é eco_lógico (o eco em parte vem da Terra de meu pai, desde que nasci e me faz pensar em: Aqui estou! Eis aqui! Com o tom de outro 'ecco'?), no processo de seleção natural tome cuidado, porque há MUÇUARANAS que se alimentam de cobras (Cuidado com as ofiófagas, que devoram jararacas e urutus!). Desprenda-se da peles mortas... das cobranças no entanto 'pague as dívidas em dia' não acumule erros, para não ser taxado de escritor que troca letras como o astro Gaguinho dos desenhos animados do Lonney Tunnes (por exemplo) nada contra os Gagos que sabem cantar bem. Perceba o que quero lhe dizer 'na boa', nem todas as pessoas prosseguem as leituras, com um parágrafo recoberto de erros e um outro e mais outro... podendo julgar que o conteúdo final contenha idéias 'insuficientes' ou 'amadoras' (e isto nem sempre é verdade). Depois, tem outro ponto, uma coisa é errar propositalmente, a outra?! Insistir em desejar não corrigir aquilo que pode(rá) ser reconstruído, como os Buracos nos canteiros de obras do metrô, que afundam os caminhões na cidade 'nA grandeee São Paulo' (por aqui tudo é Grande até os Buracos!) que podem ensinar aos pedestres que até para andar nas ruas caso se quiser manter a elegância com os saltos altos se tem que manter um certo equilíbrio ao pisar fundo no solo da Pátria-mãe 'tão gentil'... ´Às vezes se faz necessário, observar bem o que há pelo caminho... (e olhe lá!!!). Confiança ao extremo pode surpreender, pois qualquer um pode entortar os pés seja de dia ou de noite...

De Coração o que espero??? É ficar mais alguns minutos COM você... por muitos anos...

Rosangela_Aliberti
São Paulo, 14.I.07 
Foto de Adoniram Barbosa:
Mário Luiz Thompson


(Material elaborado a partir do tema oferecido pela Oficina de Rascunhos Poéticos - Trem das Onze de Adoniram Barbosa)


Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 14/01/2007
Alterado em 16/01/2007


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