Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


O JEITO É APRENDER A BOIAR...

Choque Cultural é caminhar na rua principal da cidade e sentir o peso da Babel, ouvir diversas línguas e não conseguindo conectar com o idioma da terra em que se está:
grego...coreano...russo...croata...italiano...espanhol...africano: caminhando na Rua da Rainha e sintonizando... com todos parlamentando.

Será no Japão também é assim? Oxalá, todo mundo fale um dia o esperanto.

Choque Cultural é pegar o trem, o bonde, o metrô (seja lá o
que for) sair pela direita e depois dar a volta no quarteirão e descobrir que está dando voltas em caracóis, pois na verdade a saída era pela esquerda.

Choque Cultural é chegar atrasado na aula e ficar entre: turcos, indianos, coreanos, chineses; descobrir, deduzir e rezar para que todos um dia cheguem lá, depois de 50 palavras novas/dia.

Alívio Cultural é dar risada com um novo 'patrício' e perceber que ele se perde tanto quanto você.

Choque Cultural é estar no 'Jardim das Cervas' numa mesa entre quatro ´pica-paus´ (relembrando nestas horas os velhos tempos dos 'papos' em meio aos adultos, só que desta vez não se tem nenhum amiguinho por perto para brincar debaixo da mesa fazendo-de-conta que ela é tenda de índio).

(Depois perguntam porque será que as ´maritacas´ sentem
tantas saudades!?!)

Para as 'maritacas' treinadas:

Se o seu papai falava com as titias 
e você pouco compreendia o dialeto italiano;
se o padrinho era poliglota
e considerado ´meio louco´
e falava com a fada-madrinha e Cia 
enquanto você tentava decifrar... o francês
Sem problemas...!
Você vai experimentando decifrar um pouco de cá,
um pouco de lá... em meio a uma nova 'guerra':

o vizinho de cadeira fala realmente grego
chora no seu colo 
e o francês do lado direito
não pára de reclamar por que é naturalizado
na Alemanha mas não sabe falar direitinho...
(ainda) schon gut

São dois prá lá e um prá cá?
Então vamos lá:
Quatro dão seus passinhos do lado de lá
e você dá seus passinhos do lado de cá...
Isto é...

boiar

eu bóio, estando com a bóia cheia, livre de tubarões!
Tu bóias sem precisar de bóia, porque sabes falar muito bem o ´alto alemão´,
ele bóia fingindo que não bóia: é isso aí meu irmão,
nós boiamos na 'mesmíssima' bóia!
Vós boiáis, com vossas bóias. (Muito elegante!)
Eles não bóiam todos os dias: apenas descansam... descansam... descansam...

`O Ministério da Saúde Mental adverte, o essencial é aprender como boiar!´

BOIAR
ARBOIA
Ar é preciso para encher a bóia.
Diante de tantos "trennbaren Verben"*
(até para pescar o 'drama' tem que se fazer-de-conta)

Nem assim deu pé... neste 'trem' o que não jeito nunca terá o lance
é passar prá frente...

NOTA: *trennbaren Verben = verbos que são quebrados no meio
(o verbo é separado dentro da frase o prefixo vai parar no fim da frase e o sufixo no começo)


´...Ai! de quem bóia!` 
Quem boiou nunca cantou 'Pai afaste de mim este cálice' cale-se
para sempre...

Mal espero começar um novo dia para recomeçar tudo de novo.

Stuttgart, 24.07.03
Arte Vladimir Kush
Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 12/02/2005
Alterado em 28/04/2006


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras