Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos

A RAPOSA E AS OVELHAS
Uma raposa tinha dado a luz recentemente havendo sofrido mal tratos duma matilha de cães caçadores, estava muito enfraquecida e a única solução que encontrou foi entregar sua cria para um rebanho próximo, de ovelhas malhadas.

- Mas como? Dona raposa, a senhora bem sabe que somos ovelhas, não temos o mesmo instinto que vocês... disse uma delas.

- Por favor não rejeitem minha raposinha, não tenho ninguém mais à recorrer, sei que me restam poucas horas de vida, choramingou a raposa.

Como ovelhas dificilmente recusam pedidos de ajuda, adotaram o filhote.

Passado algum tempo a raposinha pastou bastante, comeu muito capim através do leite das ovelhinhas, mas era chegada a hora do desmame que foi esticada o máximo possível, as ovelhas não sabiam bem o que fazer...

A ovelha que comandava o pequenino rebanho lhe contou sua história de origem... e a raposinha ficou com medo de ser pega pelos tais cães perigosos numa emboscada, e sempre se escondia nas barras dos mantos de lãs das mãezinhas postiças, aprendeu a fugir dos lobos correndo
bastante e até  imitava os balidos.

No entanto a ovelhona começou a ficar preocupada e apesar de toda sua docilidade teve que gritar BEM alto no ouvido da raposinha:

- Você é como se fosse uma de nossas filhas, mas tem que aprender a matar galinhas para sobreviver!!!

- Como mamãe ovelha, eu nasci no meio de vocês que são tão
pacíficas, não saberia utilizar os dentes para matar, o que irei fazer?

- Eu não estou te falando para você matar as partes boas que todos trazemos dentro de nós, estou dizendo que tem que fechar os olhos e reencontrar seu instinto para o seu BEM ou morrerá. Você é uma raposa, nasceu raposa mesmo sendo criada entre nós ovelhas malhadas...
comece exercitar seus dons naturais: pilhando ninhos, metendo o focinho nas tocas dos vizinhos ou...

- Não tenho coragem de matar!

- Você não vai virar uma bobona, você é ESPERTA não
vai morrer de fome tem aproveitar o lado bom que a vida está te fornecendo, usando bem os dons que a natureza te deu, não precisa comer nem mais nem menos, apenas o suficiente.

- E quanto aos cães? O que faço se vir alguns deles enquanto estiver caçando, minhas perninhas irão tremer feito vara verde.

- Utilize seu pensamento em seu favor, imagine que está com uma de nós, você já escapou de tantos lobos... sabe, o que fazemos quando sentimos o cheiro de lobos...

- É a hora do: pernas prá que nós a temos!!! gritou a raposa com o peitinho estufado.

- É a hora do corre-corre, ficando mais longe deles, o quanto puder... às vezes nós não queremos nenhuma sarna para se coçar mas ela aparece... para nos testar, suspirou a ovelha.

- Testar o quê? Perguntou a raposinha um tanto diferente das que tem a astúcia fluindo nas veias.

- Testar as nossas doses de CONFIANÇA, se nós que somos ovelhas conseguimos fugir de alguns lobos, o que dirá VOCÊ...!?!


São Paulo, 05.09.04
Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 12/02/2005
Alterado em 12/02/2005


Comentários

Site do Escritor criado por Recanto das Letras