Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


"Não te suponhas tão grande a ponto de pensar e ver os outro menores do que tu." (Desconheço o autor)

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Carta ao autor desconhecido: CARMINA BURANA

Hoje acordei com vontade de conversar com os deuses romanos por que eles são tão mortais quanto eu e nem Cristo os menosprezava? ...por isso decidi abrir minha torneirinha de asneiras; daqui saíram algumas gotas de: nada sei.

Em primeiro lugar, não sei quem resolveu inventar que os burros não prestam prá nada, um humilde prestador de serviços... serve? Quem suporta carregar longas cargas é um servi_dor de boa vontade. Ai que raiva!!! Oxalá as mercadorias contenham o peso do açúcar ao cruzar o rio e se dissolvam, com a leveza das folhas secas que flutuam... e a ciência de que castiçais de ouro tendem a afundar e a enferrujar abandonados com o tempo no meio d’água até que alguém esperto possa fazer algum uso destes.

Não descarto certos valores bíblicos, como chuva batendo nas telhas de madrugada: "Quem ama os prazeres empobrecerá; quem ama o vinho e o azeite nunca enriquecera." Pv 21:17 (isto é regra para quem se encontra desregrado rei Salomão, isto é "super ego", o “pai dos burros” para alguns pode ser bem mais apetitoso em determinadas ocasiões, porque lá as palavras andam soltas, e estas são verdadeiras fontes de inspiração.

Hoje olhei para o desprezo, o ato de des/prezar nos coloca acima do receio do perigo, o perigo está em só se olhar para o mal como mal ou olhar para o bem como se fosse um veículo de eterna paz. Aiii que angústia? Experimente sentir desprezo pela mentira e não pelo mentiroso, desvalorize o substantivo sendo um propagandista ou consumidor de ideais de ponta.

O desprezo SERVE para não prezar o que?

Há pessoas que dizem que preferem a indiferença em relação ao que incomoda, você somente usa a indiferença para o que ignora. A indiferença, não é tão apática quanto muitos pensam... e muitas vezes "peca" pela omissão, preguiçosa foge da raiz do problema ao se desinteressar em face de alguma coisa abre e desenrola um tapete vermelho para a Rainha Inconsciência desfilar.

O indiferente, o que faz? Não apresenta opinião porque não têm motivos para preferir algo. Aiii que medo: Entre um perfume ou outro novo é indiferente; entre aquela comida ao preferir a trivial é a indiferença preguiçosa que lhe satisfaz?! “Indiferente” talvez por não conseguir preparar o prato de forma adequada.
Indiferente por se achar talvez mais protegido de uma determinada situação a qual ainda não sabe lidar... Entre uma cor e o outra está o indiferente, ou aquele que se faz de indiferente.

Se o umbigo for do tamanho do mundo existe a indiferença, no entanto se algo no outro nos incomoda a indiferença se movimenta...

O fanatismo é indiferente? O preconceito é indiferente? O que está acima do bem e do mal é indiferente? A falta de respostas é impulso para a indiferença?

Tsc, tsc o indiferente, pode fazer questão de mostrar que tem insensibilidade política, religiosa ou sobre qualquer acontecimento o qual tem incapacidade de formular uma determinada opinião, mas está sempre em posição do sobreaviso. O indiferente é sempre um excelente crítico pois somente aplica a indiferença para algo que pode lhe ocasionar algum transtorno.

O indiferente no fundo puxa demais o seu próprio saco.

Entre o dó, a indiferença e a raiva a mais forte de todas elas é a pena. A mais forte no sentido do ser se tornar resistente. Porque o indiferente dentro da sua indiferença pensa que tenta d-e-r-r-u-b-a-r, no fundo ele é um exemplo de um fraco.

Ser indiferente implica em “deletar da memória” algo ou alguma “coisa”, "passar por cima da coisa que perturba" é A jogada... mandar tudo para um quarto escuro até mofar.

Às vezes é bom não se amofinar o descarte e a troca é a possibilidade positiva da indiferença que não se coloca na posição do enfrentamento,
por não encontrar alguma capacidade da mais aparente utilidade ou ter gana para não valorizar alguma “coisa”...percebe, como tudo envolve o brincar!?

Entre o gato e o rato sempre há o buraco na parede onde está o jogo de esconde-esconde para crianças: - Vinde a mim... vinde a mim...!!!

Como havia dito anteriormente, a aplicação da indiferença é igual ao não querer ter conhecimento de alguma coisa;  na verdade o movimento da indiferença contra algo conhecido provoca a liberação de uma energia consciente. Você pode ser indiferente a algo que deseja não ter contato nunca mais, mas sempre estará rodeado do nunca mais, na Terra do Nunca ...e tudo que não se quer nestas horas é ter envolvimento com aspectos avaliados como chatos. Chato é aquele quarto repleto de LUZ que é bem capaz de incomodar a cegueira. Quando alguém se faz de indiferente para com o outro fatalmente encontrará uma nova pedra no meio do caminho, há pessoas que adoram colocar pedras nos assuntos mal trabalhados, há pessoas que sentem medo do ódio... outras odeiam demais e existem pessoas que encaram a visão da pedra... sendo que até quem está na escuridão sente o toque e o relevo das pedras.

Passar por cima de pedras, doe?

Sim, a acomodação fugirá do terreno pedregoso, na procura dos desvios, não é lógico fazer o enterro de pedras porque este movimento denota novamente o desgaste de energia. Cães enterram ossos não cavam buracos para guardar pedras, neste caso cães são exímios conservadores, preservam o cálcio pois algum dia poderá faltar.

Eis uma nova pedra no sapato a incomodar. O que fazer com a raiva de cão quando esta vem a tona? Tem gente que gostaria de ser "O Santo Cristo", outros elegem um "bode expiatório" mas se perde no meio do caminho porque o caminho percorrido por uma pessoa sempre será o daquela pessoa; daí a raiva vem a tona, já que não posso ser como Nietzsche, Salvador Dali, Bach... vou desprezá-los com a irmã Mágoa (de si mesmo) dando mãos a madonna Raiva  construindo o desprezo.

Se desprezar está para o não prezar... prezar tem a ver com o sentimento de alta consideração, o não prezar envolve a falta de que? A ausência do respeito.

Quem utiliza muito o desprezo em seu vocabulário interno, não tem estima ou consideração por alguém ou alguma coisa? Sem dó nem piedade: não tem grande valor por si próprio.

Dos males o menor: A pena.
O sinto pena de você, em todos os casos dói muito mais do que: - Sinto raiva de você, eu te odeio. Vou desprezá-lo... serei indiferente.

Pense no ser mais desprezível... Pense com música!

Sugestão de vídeo: Carmina Burana
http://www.youtube.com/watch?v=QEllLECo4OM

O quanto se pode se ter “dele” em nós mesmos!?!

Penso em um ser como desprezível? Quanto poder dado para o “Contrário” sem perceber os outros aspectos que podem emanar de bom em um ser...  quantas qualificações para imprimir a própria falta de jogo de cintura para lidar ou encarar a REPRESENTAÇÃO em NOVA situação.

Se os sentimentos por aqui se confundem é porque giram em torno da ansiedade (que deve se procurar enxergar com distância): Quantos instrumentos se tem em uma orquestra? Por que todos
respeitam um maestro? Que conclusões as pessoas tem após a leitura 
de uma biografia?

........

Por isto dou preferência a sutileza do: - Sinto pena de você.

O que dói agora? Ou não dói mais...?

A pena abre a mão diversas portas. Com um dó sem tamanho se chega à senhora Comiser_ação (mas isto não quer dizer que se tenha que se ter passado por outros acordes... o transformar do outro nos transforma... mas NUNCA se pode dar valor demais ao poder de outrem, porque o outro com o tempo aprenderá a utilizar todos os seus próprios caminhos acionando as ações retirando a fibra das palavras.

Realmente sem dó não se chega a piedade.

Ignorar algo é bem diferente do que sentir desprezo. A ignorância é relativamente neutra, (mas até certo ponto?). Porque o que não se conhece hoje pode ser reconhecido amanhã, meu caro... Tudo poderá ser transmutado até se alcançar o patamar do reconhecível.

Como alguém pode dar valor aquilo que não conhece???

Ignorar pode ser útil?
O não conhecer harmoniza com o não saber. O não tomar conhecimento por experiência.

Se eu por exemplo, conheço a "verdade", tenho por base uma lei na minha santa ignorância, a representação da "polícia" me policia... a consciência, contudo até as leis são mutáveis e meu eu é ciente que o “superego” existe, e que o “id” é muito brincalhão, o “id” adora mentir para si mesmo ele gosta de praticar inverdades ...mas até um pouco de surrealismo na aquisição do prazer cai bem?! Talvez na redução da ansiedade.

Será meu caro amigo que ignoro a palavra destruição? Ignoro o mundo pouco cor-de-rosa que nos cerca???

Carmina Burana
Trecho
(...)

1.

O Fortuna (Ó Fortuna
Velut luna, (Como a lua, 
statu variabilis. (seu estado é mutável.  
semper crescis (sempre cresces
aut decrescis; (ou minguas;
vita detestabilis (vida detestável
nunc obdurat (primeiro maltratas 
et tunc curat (e depois lisonjeias 
ludo mentis aciem, (mente afiada no jogo. 
egestatem, (à pobreza
potestatem (e ao poder
dissolvit ut glaciem. (dissolve como se fossem gelo.

2. 2.

Sors immanis (Sorte monstruosa
et inanis, (e vã,
rota tu volubilis, (tu, roda a girar,
status malus, (a aflição
vana salus (e o vão bem-estar
semper dissolubilis, (sempre se dissolvem
obumbrata (tenebrosa
et velata (e velada
michi quoque niteris, (atacas-me também;
nunc per ludum (agora por teu capricho
dorsum nudum (costas nuas
fero tui sceleris. (trago sob teu ataque.

3. 3.

Sors salutis Sorte, (senhora do bem-estar
et virtutis (e da virtude,
michi nunc contraria, (estás agora contra mim;
est affectus (ela foi afetada
et defectus (ela foi destruída
semper in angaria; (totalmente  por sua causa
hac in hora (então nesta hora
sine mora (e sem demora
corde pulsum tangite, (que sejam tocadas as cordas vibrantes;
quod per sortem (posto que a sorte
sternit fortem (esmaga o forte
mecum omnes plangite. (e que todos chorem comigo


Tenho dó do ignorante que desconhece a si próprio.
Se me conheço?
Não me ignoro.

Sou totalmente ignorante.
Para os bonzões que estão com tudo e me cercam: d
a onde veio a inspiração para que eu escrevesse tal carta? Me senti como aquele sabiá na ponta do galho tomando aquela chuva fininha sem me molhar... se um dia eu sangrar espero compreender como se faz para se secar (sorrindo).

Carpe diem!!!

Rosangela_Aliberti
São Paulo, 24.X.07
(arte de origem desconhecida)

 

 

 

Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 25/10/2007
Alterado em 18/10/2009


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