Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


“Quais dos muitos eus sou eu?”


“Na dor e na saudade escrevi algumas das minhas maiores linhas (sem pretensão alguma e nenhum pedantismo), podem não ter tido valor para outra pessoa, ou terem sido consideradas como fonte de inspiração para outro autor, no entanto nunca deixarão de ser consideradas e de conter partes de mim: 'ruins' e 'boas'.” (Rosangela_Aliberti) 

 Ao contrário do que muitos podem pensar, não sou um personagem perdido no tempo e no espaço, sou um sopro do: Vento... Tenho a nítida 
a sensação que sou as personagens que (re)crio, leio e releio, tendo a consciência que sou todas ao mesmo tempo manejando o circuito da atemporalidade... no revirar memórias, caem no buraco de outrora neste momento tudo se revira em um redemoinho de pura poesia... as palavras, os gestos só faltam ver as sílabas dobrando as ruas, as curvas nas esquinas... faz tempo que sou assim. Por exemplo: amanheço crescendo flor; no pôr-do-sol me ajunto com passarinhos; ao falar com a lua viro adolescente e madrugada sou mulher do silêncio. 
No instante que pensam que sou espinho... sou a pétala, vejo o espinho engolindo a flor consumida em labaredas me agito como se estivesse queimando, uma verdadeira sarça ardente que compreende as dores dos amigos, parentes e desconhecidos nos corredores dos hospitais reais e imaginários... É, neste exato momento que tenho que me revirar no 
sorriso ingênuo das crianças, sou as tranças das meninas que voam no impulsionar das gangorras, sou a tinta que escorre o rosto dos palhaços, sou a lágrima... sim sou uma lágrima, com gosto de ferrugem ou de sal 
que se retransforma em gota de orvalho todas as manhãs quando não se vê um o raio da solidariedade por perto... procuro pelo amarelo, desenhando as flores da coragem, brigo com o diabo e daí estupidamente me torno totalmente ka-mi-ka-zê. Talvez seja esta uma das partes no 
processo. Quando algo me 'incomoda leio mais e mais' a respeito me enfiando no interior da cidade, no ponto certo da overdose, até enjoar.

Será que pouca gente percebe que no meio dos labirintos, o egocentrismo se perde???
 
Sou meio mulher-bomba finco a espada em mim mesma, antes que o façam... por pura defesa. Com noção que a arrogância deve cair um dia pedestal. Eu me ouço. Não sei se os outros estão me ouvindo, 
mas escrevo talvez para outros náufragos.
 
Quais dos mamíferos racionais vivos da natureza fariam isto? Conheço, vários que tem um movimento quase automático, é como se estivesse no interior de algum 'nenhum' que pensa que não é ninguém mas é algum.
Pois transpira poesia e a Arte tem a Magia de nos fortalecer em dias dos jogos de guerra. 

Nestas horas não sou uma phoenix que renasce das cinzas, sabe porque? 
A phoenix estaria no alto da pira antes morrer, nunca me vi como deusa... 
apesar de escrever com 'todos os deuses greco-romanos', não sou as cinzas... sou gente que pensa e com a imaginação se elabora... logo 
posso ser o nada... a Magia está aqui. E no ser ou não ser, com a mão
no crânio e no osso de Shakespeare, que se sente no interior de um nada, SER o nada... quando sou o nada, posso imediatamente me tornar em tudo aquilo que desejar, nestas horas é que vejo a nitidimente a vida, 'a morte realista' roda por perto é chegada a hora do descanso... encosto na primeira árvore:
- Bom dia, árvore!
Se descansasse numa rede:
- Boa tarde, rede!
Se descansasse num barranco:
- Boa noite, barranco...!
Oi cama! Oi túmulo! Posso ser um túmulo, de pedra? Com licença dona pedra! ...Pedras me lembram Drummond e hoje e 'nunquinha da Silva' 
serei a inscrição da lápide de alguém, entenda bem não tenho este poder, não sou a pedra no seu sapato a menos que você me conceda este poder; sigo estes versos de Mario Lago: 'Gosto e preciso de ti./Mas quero logo explicar/ Não gosto porque preciso/ Preciso sim, por gostar'. Prefiro ser 
um favo de mel nas mãos dos ursos e da molecada... que se agita procurando Pasárgada... 
No dia seguinte tudo será diferente, tem gente que tem gosto em ver as pessoas serem colocadas para baixo, a minha maior satisfação está em levantar as pessoas, por que?
Talvez, porque seja muito mais difícil dizer um: ‘sinto muito’; talvez
porque seja desafia_dor lidar como o medo, a vergonha, a raiva, a ansiedade e as tolas culpas e preocupações que se enroscam na mente 
de uma horinha para outra, talvez porque quando escrevo sei que procuro desvirar e revirar mil carapuças e estas neste ou naquele exato momento necessariamente não foram dirigidas à VOCÊ. Porém podem conter partes de você. Como descreve a frase de Gustave Flaubert,
"O autor na sua obra, deve ser como Deus no universo, presente em 
toda a parte, mas não visível em nenhuma"

Ipsis litteris*, não nasci para tecer críticas, mas no entanto preciso 
aprender, não se pode ser uma boa samurai sem compreender as 
artimanhas dos ninjas, aprendo aos poucos a afiar a língua, escrevendo 
o que sinto, o que vejo e o que percebo procurando estar ligada no inconsciente coletivo, do dia, semanas ou meses... ...um inseto se debate nas paredes de meu quarto antes de eu dormir naquele momento, 'pode' estar me dizendo alguma coisa... compreende a amplitude de um haicai voltado para a Natureza?! 
Será que preciso mais de pitadas de aranha ou de abelha?
De mariposa ou borboleta? Será que alguém já se sentiu assim?
Ou escrevo ou não durmo em paz comigo mesma, não escrevo e 
escreverei somente por pura teimosia ou demonstração (?) escrevo 
porque algo 'na minha natureza' em estado de uruboros me força e ponto quase final:  Boa sorte hoje e sempre... esse é o princípio da amizade e de sentir bem mental, fisicamente e espiritualmente acredite se quiser encadeamentos de pensamentos se encontram interligados da mesma forma que a necessidade que o ser humano tem de se auto-perdoar... 

Como alguém pode conceder a dádiva do perdão senão perdoar si mesmo? Sofre mais aquele que se sente ofendido mas em primeiro instante o que porventura lançou a primeira 'pedrada', palavras na maioria das vezes nos 'pegam' de surpresa irritando nosso campo energético, se você não conseguir perdoar... esqueça ao menos (auto-isolamento), o bater na mesma tecla poderá ocasionar 'curto-circuitos' desastrosos, caso não esteja preparado para identificar a carga (que entrou em contato com a própria carga) esta será notada como se fosse um balde de 'lama'; não é interessante entrar em sintonia com o ofensor (todas às vezes que nos sentimos feridos necessitamos de um remédio, a experimentação do perdão contra a angústia na maioria das vezes é vista como amarga). Se uma de minhas palavras servirem como fonte de inspiração para alguém que 
sejam para uma mudança positiva transformando o que foi percebido no momento como fel, em algo doce como o mel, é sinal que ocorreu uma neutralização, este é um pequeno exemplo da 'solução alquímica homeopática através das letras' não sei quem é o dono desta frase:
‘O mel mais doce nem sempre está na árvore mais alta’, mas sei que esta frase satisfaz minh´alma de formiga no grande mundo das letras, sentindo o peso das folhas da vida ando mais feliz caminhando em com_ passos curtos... sentindo no rosto o sopro do vento!
Mesmo assim uma força estranha me diz para convidar alguém: VEM!
Continue a escrever. 
Repita: - Se um dia tentarem  'matar', sobreviverei. 

Agora sei que poderei dormir na rede em paz... com uma frase de 
Graciliano Ramos em mente:"Só posso escrever o que sou. E se os personagens se comportam de modos diferentes, é porque não sou 
um só."
Sorte eu estar em pleno período de férias e poder quem sabe ter a companhia de um leitor paciente nestas altas horas. 


Nota do latim* Ipsis litteris = Com as mesmas letras, literalmente.
São Paulo, 12.I.06
Fotografia: Desconheço a fonte 



Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 12/01/2006
Alterado em 10/10/2006


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