Rosangela_Aliberti

"Se a Arte tocar em algum ponto do homem é sinal que alcançou seu objetivo" (r_a)

Textos


A um Mestre com Carinho

Um amigo se foi, eu sei... sei como é perder um amigo, como você também sabe... E é nestas horas na qualidade de aprendiz na amizade que se descobre onde os pés estão...? Bem fixos na Terra ou a mente está no ar?!

Primeiro: quem se despediu de quem? E será que se despede? Não sei se alguém se despediu de mim apesar de ter uma leve impressão de que me despedi bem antes de alguém... e de ter perdido a conta de tais despedidas.

Às vezes tenho medo do assobio frio do vento, às vezes o vento assovia diferente, sim às vezes tenho medo de perder mais um amigo... porém é preciso ter algum amigo para se ter este tipo de medo, é preciso ter consideração por palavras sejam estas semelhantes ou não, quando se tornam relevantes em algum instante de nossa vida passageira (o respeito não retira nem acrescenta vírgulas onde estas não se encontram).

É preciso identificar o tamanho de uma possível perda e aprender a conviver com uma após outra, mesmo não se tendo prazer em admitir tal percepção...  no fundo quem quer se ver sozinho, diante do próprio espelho?!

Às vezes um momento se torna ímpar, e caso não se tenha mais aquele amigo para “brincar” de  tirar par ou ímpar, para ver quem irá embora primeiro...? Porque no fundo ninguém quer se ver mais só do que já é, neste pseudo paraíso.

Nestas horas temo... o sombrio e depois de balanço a fronte uma, duas vezes e na terceira já não receio tanto por ter aprendido que não foi desta vez a minha vez de ir primeiro... será egoísmo pensar assim? Talvez seja.

Ah, mosca de inverno
– questão de dia ou de hora –
seu último instante?
 
H. Masuda Goga

A frieza... tem ou não contem desprendimento? Por que um cubo de gelo derrete sozinho, se dissolve como água da chuva e retorna à terra!?!

Talvez se tenha muito a aprender (e sempre se terá), o suficiente no  momento é compreender que tudo tem sua hora como dita uma parte do livro de Eclesiastes... talvez seja preciso aprender a viver com e sem assobios quando algo no coração aperta e corta como a voz do vento, enquanto alguns se despedem outros realizam festas noutro lugar talvez muito mais belo do que (n)este aqui-agora... talvez aí esteja um dos grandes desafios ...dizer adeus com a cabeça erguida e visualizar um prosseguir com os mesmos sinais de amizade sem a presença da fala, as letras sempre silenciam... e nunca deixarão de estar vivas no interior de Algum Lugar Maior.

rosangela_aliberti
São Paulo,  10 de maio de 2008.
Galeria ie ie – Flickr

Kitaro-Kokoro
http://br.youtube.com/watch?v=RgO81dKsL4Y&feature=related

 

 

Rosangela Aliberti
Enviado por Rosangela Aliberti em 10/05/2008
Alterado em 30/05/2008


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